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domingo, 8 de setembro de 2013

A cultura da irresponsabilidade e os vigias filósofos.

Alexandre, o grande, foi aluno de Aristóteles.


Os seres humanos vivem em sociedade. A vida em sociedade implica que cada pessoa tem uma série de direitos e deveres que variam de sociedade em sociedade. Mesmo em uma sociedade anárquica, aos moldes do que querem vários partidários da Movimente-se, fica implícito que todas as pessoas devem seguir uma série de regras para evitar que a sociedade se deteriore e se transforme em simples caos.

Temos a sorte de viver em uma sociedade democrática. Uma sociedade democrática não envolve, como muitos parecem achar, apenas a escolha direta de seus governantes - de fato, esse fator pode até mesmo ser ignorado, como acontece com o poder executivo de democracias parlamentaristas e dos Estados Unidos. Um sistema democrático significa, entre outas coisas, igualdade perante as leis, liberdade de expressão e direitos de propriedade bem definidos.

Assim como em todas as outras sociedades, uma sociedade democrática também envolve direitos e deveres, geralmente tipificados na forma de leis. A igualdade perante a lei garante que ninguém pode simplesmente ignorar seus deveres e se concentrar apenas nos seus direitos.

Entretanto, mais e mais, vemos que um grupo de estudantes na nossa Universidade acredita estar acima das leis. Falo, é claro, dos militantes do chamado movimento estudantil. Digo isso porque apenas alguém que se vê acima das leis pode achar legítima a invasão de um prédio público para o avanço de uma pauta política. Apenas pessoas que se vêem acima das leis pode achar que ignorar instruções diretas de se retirar de um espaço público não vai levar a nada. 

(Um pequenos desvio: coisas públicas não são terra de ninguém, e também estão sujeitas e leis e regras)

Essa visão de que o movimento estudantil caminha acima das leis que nós, meros mortais, devemos seguir está enraizado na cultura dos estudantes que participam desse grupo. É por isso que ninguém da Movimente-se se preocupava com o claro uso de drogas que acontecia em todos os saraus da universidade. Na visão dessas pessoas, a Universidade é um território livre, onde eles podem testar suas ideias vindas de Bakunin e Marx sem represálias.

É assim que acontecem situações como a do vídeo abaixo:


Isso aconteceu dentro da USP. Alunos ligados ao movimentos estudantil de lá - como se vê, o tipo é o mesmo - estavam ocupando irregularmente um prédio da Universidade. Acho que não preciso especificar que tipo de coisas eles estavam fazendo nesse prédio. A justiça de São Paulo concedeu à Universidade uma reintegração de posse, afim de devolver para o público o que tinha sido privatizado pelos poucos delinquentes.

Os estudantes, vendo o policial fazendo o seu trabalho de fazer cumprir o que a justiça determinou, se puseram a filosofar com o PM. Talvez estivessem tentando, sei lá, converter o policial para sua religião marxista. Não entendiam que o policial estava ali para cumprir seu dever, talvez porque eles próprios não tinham muito bem formado esse conceito em suas cabeças. O que vocês acham que aconteceu? 

Vou dar uma dica: o policial não se sentou com os estudantes, puxou um beck e começou a falar sobre as contradições do capital.

Alexandre, o grande, que ilustra o começo desse post, era um guerreiro educado por um filósofo. Infelizmente, ele é uma exceção na história da humanidade. Em geral, aqueles que manejam as espadas não são os mesmos que leem os livros, e vice-versa. Discutir utopias com pessoas armadas procurando cumprir o seu dever não funciona, mas foi o que os estudantes tentaram fazer nesse cinco de setembro.

No fim, a decisão da Movimente-se de provocar os vigias para causar uma reação foi extremamente infeliz. Não só jogou os vigias contra os estudantes (e vice-versa) como não atingiu as pessoas que deveriam ter atingido, isso é, as pessoas que realmente tomam as decisões dessa Universidade.

Reacionário

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