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quinta-feira, 29 de março de 2012

Os fins não justificam os meios, os revolucionários "oakley"




    Tenho lido todos os posts do blog e consigo me ver tão revoltado quanto o escritor em todos os pontos citados. Primeiramente queria citar alguns pontos que estão me incomodando faz algum tempo, começarei falando sobre o discurso inflamado que a movimente-se sempre constrói e que chamarei de discurso padrão do revolucionário "oakley".
    Esse tipo de discurso inflamado e tendencioso tem uma receita clara, ele primeiramente cria um inimigo terrível que está sempre criando novas maneiras de oprimir uma classe injustiçada. Em um segundo momento ele cria uma causa nobre e absoluta que seja impossível de se criticar. E finalmente o discurso parte para seus pontos finais e é nesse período do discurso que entra a parte mais perigosa, a de que os fins justificam os meios. Mas porque esses discursos conseguem movimentar tanta gente? É impossível de negar que tanto a invasão da reitoria como a paralisação da UEM inflamou os ânimos de muitos estudantes e causaram uma grande separação no meio acadêmico.
    Na verdade essa grande separação dos alunos é um advento do próprio discurso adotado pelo movimento estudantil da universidade, que se intitula revolucionário, a criação de dois lados (esquerda e direita) faz com que o diálogo seja mais difícil pois qualquer crítica construtiva feita sobre um tópico já se torna rotulada como capitalista ou socialista, é absurdo que no século 21 ainda se fale sobre uma divisão criada durante a guerra fria. Para piorar ainda a segregação dos estudantes existe a segunda parte do discurso que usa palavras fortes e bonitas como educação, cultura e liberdade. Trazer essas noções criadas e garantidas pela sociedade após anos de história que provaram que a falta de qualquer uma delas faz com que o direito individual do ser humano seja ferido torna os argumentos de um lado fortes mesmo que sejam vazios. Digo isso pois um argumento criado para desconstruir o discurso do lado supostamente bom faz com que o crítico em questão esteja indo contra as próprias necessidades básicas de uma sociedade civilizada e o que o transforma em um inimigo cruel e impiedoso.
    Por último mas não menos importante o discurso padrão de um revolucionário "oakley" traz a tona a ideia de que os fins justificam os meios. Nesse momento se você leitor do discurso já concorda com tudo que já foi dito anteriormente irá, eventualmente, falar e dizer coisas horríveis para defender a causa, poderá até usar argumentos que ferem as palavras citadas anteriormente no discurso. Nesse momento a hipocrisia toma conta de toda a razão que sobrava nas ideias anteriores e você poderá chegar ao absurdo de queimar pneus na frente de uma faculdade estadual, ferindo não só a liberdade de ir e vir de todos os estudantes e cidadãos, mas também a constituição. Esse comportamento absurdo é cuidadosamente preparado pelas palavras fortes no texto que tem uma mensagem clara: para alcançar a nobre causa de uma educação melhor qualquer coisa pode ser feita, e qualquer pessoa que seja contra isso é o inimigo e sua opinião vai contra os princípios da sociedade.
    Mas como podemos nos defender dessa investida implacável à democracia e à razão? Sinceramente penso que o melhor jeito de nos defender é acabar com as divisões de esquerda e direita, afinal essa definição é arcaica e desnecessária. Outra maneira é desconfiar de informações de cortes absurdos e não se deixar levar pelas palavras inflamadoras dos sermões do DCE atual. Podemos ainda nos juntar e  votar em uma chapa que não saia por aí sujando as paredes da universidade com trechos de músicas de bandas e cantores que viveram em uma época onde realmente havia um inimigo cruel e impiedoso, uma época em que um blog como o reação UEM não poderia existir porque, mesmo com nossas ideias de "direita", ele mostra problemas que a universidade enfrenta diariamente em uma perspectiva aberta e justa com todas as opiniões com comentários abertos e anônimos. E por último não devemos nos deixar levar pelo argumento da defesa da nobre causa pois é nesse tipo de ideia que surgem os maiores perigos a sociedade.

Por Capitalista Alienado

P.S: Quem quiser uma leitura que mostra muito bem o perigo de se usar o pensamento "Os fins justificam os meios" procurem a revista em quadrinho Watchmen de Alan Moore, procure ainda ler 1984, de George Orwell que mostra uma perspectiva muito mais agressiva da ideia.

terça-feira, 27 de março de 2012

Sobre o material distribuído pela movimente-se

Bastante gente deve ter recebido na sala de aula um folheto com "informações" sobre a situação da UEM. Pra quem não viu, o material também pode ser encontrado no blog da chapa. No geral o folheto é mais uma peça de propaganda da gestão atual do DCE, mais uma vez reescrevendo a história sob o seu próprio ponto de vista. Gostaria de comentar aqui alguns trechos. Eles vão em vermelho, eu vou em azul.

Na primeira página:

"O reitor (...) falou que o governo tinha efetuado um novo corte no orçamento da universidade, totalizando 72% nos recursos do tesouro (fonte 100)"
Vendo o orçamento da UEM (Aqui tem um estudo detalhado dele) percebemos que a fonte 100 contém TODOS os recursos enviados pelo estado para a universidade e no ano de 2011 totalizou 228 milhões de reais. Um corte de 72%  nessa linha do orçamento equivaleria a um corte de quase 50% no orçamento total da UEM. É muito fácil saber se isso aconteceu: se em junho ou julho a UEM fechar as portas e mandar os alunos embora é porque o corte realmente existe. Anotem em suas agendas.

"o governo se recusa a equiparar o salário dos docentes ao piso dos técnicos de nível superior em três anos como o combinado no ano passado, propondo estender a equiparação em cinco ou quatro anos"
Não sou fã do governo atual do Paraná, mas preciso ser justo: os professores ganharam menos que os técnicos de nível superior durante todo o mandato do ex-governador e atual senador Requião, esse sim nada fez para mudar essa situação. Reclamar que Beto Richa vai demorar 4 ou 5 anos ao invés dos 3 anteriormente prometidos é nada mais que pegação no pé do governo de direita.
A lógica é essa: governo de esquerda que não equipara salário tudo bem, governo de direita que demora um ano a mais do que o prometido pra equiparar não pode.

"Como se não bastasse isso, a pauta de reivindicações da ocupação da reitoria, aceita e assinada pelo Reitor (...) é ignorada."
Mais uma prova que ocupações invasões de reitoria não surtem efeito. As negociações só acontecem porque os estudantes impedem o trabalho administrativo da UEM, e esse tem que continuar. Uma vez libertada a reitoria os estudantes perdem todo o poder de barganha e tudo volta a ser como era antes. Existem formas mais efetivas e legítimas de protesto.

Na segunda página:
"Em 2011 as universidades públicas tiveram uma redução de 38%  na Fonte 100, ou seja, no repasse realizado pelo governo do Estado. Em 2012 houve novo corte"
Essa frase é parcialmente verdade: a Fonte 100 realmente corresponde ao repasse realizado pelo governo do Estado, mas não sofreu corte de 38% coisa nenhuma. Como já demonstrei em um post anterior o orçamento estadual tem se mantido aproximadamente constante nos últimos 3 anos (ajustando para a inflação). A verba de custeio sim foi cortada, mas nada próximo de 38% e com cortes iguais no último ano do governo Requião e primeiro de Beto Richa. Com isso em vista, fico um tanto cético quando a movimente-se anuncia um novo corte de verba.

"Em 2011 repasses feitos pelo Estado somaram 8.298.965 milhões"
Fiquei um tanto confuso nesse trecho. O que exatamente eles querem dizer? Se formos levar o que eles escreveram ao pé da letra (e assumindo, como todo bom brasileiro, que o ponto é separador de milhar) chegamos á conclusão que o governo repassou 8 trilhões, 298 bilhões e 965 milhões pra UEM. Não nego que isso seria muito bom, mas duvido que o governo do Paraná disponha de oito vezes o orçamento federal do Brasil.
É sério isso, movimente-se? Vocês não sabem escrever um valor monetário? Pois eu ensino vocês: pra escrever 8 milhões, 298 mil e 965 reais vocês fazem assim ó:
R$8.298.965,00
ou
8,298965 milhões de reais
Poxa, não é tão complicado. Ou é? Isso não é pegação de pé! Por sorte a interpretação alternativa é absurda e pode ser ignorada facilmente (assim como os 0,07 centavos que ficou escrito por meses na frente da biblioteca, o certo é 7 centavos), se a diferença não fosse tão grande alguém poderia ler e interpretar da maneira correta, que seria diferente da maneira desejada por vocês.
Mas não citei esse trecho só pra ser pedante: a Fonte 100 de verdade envolve mais de 200 milhões de reais por ano, 8 milhões é dinheiro trocado em relação a isso. Não sei portanto de qual Fonte 100 eles estão falando.

Na terceira página
Um post sobre a Meta 4 e o que ela significa pra nós estudantes está sendo trabalhado. Talvez saia ainda essa semana.

Na quarta e última página
"Daremos um prazo de 15 dias para a resposta do reitor"
Esse foi o trecho que mais me preocupou. Foi assim que começou também a invasão do ano passado. A galera da movimente-se certamente gostou do resultado da invasão: não para a universidade, já que não atingiram seus objetivos propostos, mas para a chapa, que ganhou uma visibilidade positiva absurda. Eles sabem disso, e sabem que precisam dar um jeito de vencer as eleições que acontecem no final do ano. Se daqui 15 dias eles resolverem fazer novamente um ato que termina na reitoria nós vamos saber se a estratégia é mesmo essa.

Por Reacionário de Merda ou só Reacionário para os íntimos

domingo, 25 de março de 2012

Saraus: proibições, legalidade e mentiras

Esse post trata de uma questão antiga, mas que eu creio merecer um destaque neste blog. Trata-se da realização dos saraus. Quem estava na UEM no ano passado deve se lembrar da discussão que ocorreu entre a Reitoria e a chapa Movimente-se, no que dizia respeito à realização de saraus e outros eventos festivos no campus. A Movimente-se interpretou a sanção da reitoria como um ato de ataque às manifestações culturais acadêmicas, e como forma de resposta, organizou na ocasião um ato e um sarau – sempre reagindo da melhor e mais suave forma possível.
Aqui está o link da postagem que a chapa fez, falando sobre o Ato Executivo posto em vigor na época. Como é de costume, o texto conta com alguns exageros e distorções da realidade neste ponto, e a intenção desse post é desmistificar mais uma das falas tendenciosas da Movimente-se UEM. Aviso que é um post bem grande, mas vale a pena ser lido.

"A reitoria expediu o Ato executivo 008/11 argumentando que os eventos culturais promovidos pelos estudantes são baderna que é preciso ser extinta na Universidade."

Aqui está o link para a portaria que "proíbe" a realização dos saraus. Em nenhum momento, como se pode ler, é citado que os "eventos culturais" são baderna e devem ser extintos. A sanção feita pela reitoria não é uma proibição de fato, diz apenas que qualquer evento, festa, sarau ou outra manifestação festiva necessita de aprovação prévia do reitor para poder ser realizada. A Movimente-se sentiu-se atacada por imaginar que qualquer solicitação feita por parte deles seria negada. Aparentemente, atribuem isso a uma implicância gratuita do reitor e da reitoria e uma vontade de prejudicar deliberadamente os estudantes, restringindo seu acesso à "cultura" (eu tenho minhas dúvidas do quão culturais são os saraus... falarei disso mais adiante), e também prejudicando professores e funcionários. Que tipo de pessoa malvada prejudicaria tantas pessoas assim pelo prazer simples da maldade? Ah, é claro! O Reitor! Ele é realmente uma pessoa muito malvada a serviço do governo estadual...

"Ponto final; não houve espaço para mais conversa. Contudo, quem esteve presente nestes eventos sabe que isto não corresponde à realidade."

É mesmo? Já disse que eu tenho lá algumas ressalvas a serem feitas quanto a essa equação sarau = cultura. 

"O DCE e os CA’s vem movimentado o cenário cultural dentro da UEM e na comunidade externa de uma forma inédita. O Alvorada Folclórica, há pouco tempo, levou ao Jardim Alvorada um domingo de oficinas gratuitas, apresentações folclóricas de Bumba-meu-Boi, Maracatu, viola caipira, teatro de bonecos, etc. A consolidação do Grupo de Maracatu Ingazeiro neste ano e as oficinas abertas de maracatu e as demais que aconteceram na calourada e continuam acontecendo (...)."

Ok, ok. A gestão da Movimente-se tem um ponto a mais do que a do Bonde do Amor no quesito movimentos culturais dentro da Universidade, justiça seja feita. Durante as calouradas, houve um grande número de oficinas variadas, (ainda que os mosaicos feitos nas mesinhas do DCE tenham deixado-nas inutilizáveis... quem foi o responsável por aquilo?) assim como durante a ocupação da reitoria e outros atos promovidos pela chapa. No entanto, nenhuma dessas oficinas, que de fato têm caráter cultural foi proibida ou barrada pelo "maligno Reitor". Qual a explicação disso, se ele era aparentemente contra as manifestações culturais para os estudantes?
Além disso, a chapa fala de movimentos culturais feitos fora da comunidade, o que não tem relação nenhuma com a portaria expedida pelo reitor. Apenas um artifício textual para enaltecer o valor da Movimente-se e mostrar quantos atos benéficos para a sociedade fez a chapa que a reitoria quer criminalizar.

"O que o Ato impõe é que tudo seja silenciado, se não quiser ser criminalizado."

Beep! Errado. O que o Ato propõe é que não poderão ser realizados eventos sem autorização prévia da PCU/Reitoria. Isso foi feito sem motivo, apenas para dificultar ainda mais a dura vida dos acadêmicos da UEM? Não. Isso também vem mais adiante.

"(...)  não há espaço nenhum na UEM para convívio e integração dos estudantes."

Claro! Vocês transformaram o DCE num depósito sujo de tintas, papel e tambores. O texto que criticava a Movimente-se por ter estragado o espaço de convivência que era o DCE na gestão Bonde do Amor foi ridicularizado pelo nosso amigo Burguês Culpado (no nosso segundo post), em que ele nos chamava de playboys por defendermos a idéia da mesa de sinuca lá. A questão não é a mesa em si ou a idéia de transformar o DCE em um boteco, e sim o espaço de convivência que o lugar era. Estudantes de todos os anos e cursos se reuniam ali e podiam relaxar, conversar, conhecer pessoas diferentes e trocar várias idéias, reunidas ao redor da mesa de sinuca. Podia ser um tabuleiro de Banco Imobiliário, uma máquina de algodão-doce ou um quadro de giz. A questão era que o lugar ali estava organizado como um espaço para todos os estudantes e vocês, meus caros da Movimente-se, acabaram com ele. Reflitão oks.

"(...) Não é isso o que queremos para a UEM! Educação e cultura são direitos, a nossa luta é legítima e diz respeito à toda a sociedade (...)."

Blá blá blá, o mesmo discurso vazio e inflamado de sempre.

Bem, aqui se encerra a análise do post, e podemos ter mais alguns entre tantos exemplos das ocasiões em que a Movimente-se distorce as falas alheias em benefício próprio. Aqui, o interesse dela era parecer vitimizada frente a reitoria e passar a impressão de que a chapa (e por extensão, os estudantes todos) eram oprimidos e atacados injustamente pelo reitor, inflamando o ódio ao sistema nos corações universitários (isso merece um outro post). Não, eu não acredito que a reitoria "proibiu" os saraus por  pura birra e implicância com os estudantes - afinal, são pessoas adultas que tomam as decisões na UEM ou menininhas de ginásio? Aliás, não é uma questão de acreditar ou não. Na portaria estão listadas todas as leis e regras nas quais a decisão da reitoria foi pautada, e você pode acompanhá-las aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui (não encontrei o ofício do COMAD disponível na internet). 
Acompanhando esses documentos, conclui-se que as principais motivações da reitoria para regular a realização de saraus e outras festas são a depredação de patrimônio público e o consumo de entorpecentes no espaço da Universidade, e não a intenção de impedir o acesso à cultura por parte dos estudantes (como podemos ler nesta notícia aqui, publicada no Informativo UEM). Sim, eu sei que o maior problema dos estudantes é a falta de dinheiro, e um show de graça na universidade no final de semana sempre vem bem a calhar. O problema é que além do show e da diversão, para alguns, acontecem coisas para outros que são ilegais, e nem um pouco culturais, como o consumo de drogas - desde a latinha de cerveja até uma carreirinha de pó. O consumo de drogas é ilegal dentro da UEM, ocorre livremente nos saraus e isso seria razão suficiente para impedir a sua realização; mas além disso, ainda há uma boa quantidade de lixo deixada para trás (papéis, incontáveis bitucas de cigarro e latas), e os recentes vandalismos cometidos pelos membros e simpatizantes da Movimente-se, como mais uma vez, nosso amigo Burguês Culpado deixou claro. Além disso, o barulho feito durante a madrugada incomoda algumas pessoas (o pessoal que mora no Chain sofre muito com os ruídos). Essas são razões reais e válidas para que a sanção do reitor fosse feita, e não uma simples implicância e maldade gratuita como a Movimente-se tentou passar para a comunidade acadêmica. São também, por estas mesmas razões que a chapa sabia que qualquer pedido seu para a realização de um sarau seria vetado. Em suma: Não tem nada a ver com a questão da cultura, e sim com a legalidade de algumas ações realizadas. 
E aliás, se você  tem interesse em mais atividades culturais, legais e que não venham a infringir nenhuma lei, entre aqui no site da DCU e se inteire das atividades que a UEM oferece - e que a maioria das pessoas acaba não sabendo.


Por Cher Guevara

sábado, 24 de março de 2012

Por que não invadir a reitoria novamente


    A última invasão da reitoria – acho que já podemos concluir – foi um fracasso. Durante a invasão, grupos políticos das mais variadas orientações (mas todos vermelhos) ocuparam o nosso campus. A UEM foi invadida por bandeiras do PSTU, PSOL, PCdoB, ANEL e até, o que não faz sentido pra mim, do MST. A ocupação, apesar de ter sido pouco violenta, sujou o nome do movimento estudantil e conseguiu pouquíssimos resultados concretos (o único que consigo pensar é a redução do preço do xerox da biblioteca). 
    Nos dias que se seguiram ao fim da ocupação a UEM viu uma campanha de pichações de proporções inéditas em sua história. O velho centro da nossa universidade ganhou uma quantidade absurda de marcações enaltecendo a invasão e pedindo uma “paralização” (com z mesmo) dos estudantes. Algumas pichações até citavam a Movimente-se – favoravelmente – pelo nome. Um ato executivo da reitoria, não relacionado de maneira nenhuma com a ocupação, que proibia o consumo de bebidas alcoólicas no campus e exigia autorização para a realização de festas na propriedade da UEM foi propagandeado pela chapa como uma proibição retaliatória dos saraus. A propaganda chegava ao cúmulo de citar um texto que seria do ato executivo – mas era completamente inventado (esse episódio vai ganhar um post exclusivo mais tarde).
    Apesar disso, a Movimente-se revelou recentemente através de seu blog, no dia 21 de março de 2012, que não descarta a possibilidade de uma nova invasão esse ano. É fácil entender por quê: a grande vencedora da ocupação foi a movimente-se. A popularidade da chapa chegou a seu ponto mais alto nos dias em que aconteceu a invasão. Sem ela o mandato da chapa seria marcado apenas por uma degeneração do espaço físico do DCE – por que colar ladrilhos nos bancos? – e algumas passeatas cheias de bandeiras vermelhas. Até mesmo uma chapa fraca e mal-organizada como a “UEM nos UNE” teria chances em uma eleição contra uma Movimente-se sem ocupação.
    Porém, como vemos, a ocupação foi muito alarde para pouco resultado. Foi um marketing bastante efetivo principalmente entre aqueles estudantes que ansiavam por fazer parte do tal “movimento estudantil” de que ouviam falar, em tom de nostalgia, de seus professores de história no ensino médio – alguns continuam a ouvir falar nisso durante a faculdade.
    Esses professores também tem a sua parcela de culpa. Na tentativa de reviver seus anos dourados através de seus pupilos eles os doutrinam em uma filosofia que fazia sentido na época da ditadura, quando falar mal do governo em público significa se arriscar a levar cacetete ou, se você fosse um líder, até mesmo ser torturado. Alguns desses mestres congelaram no tempo e ainda acham que vivem na época do AI-5.
    A era em que vivemos, entretanto, é outra. Não há mais espaço para movimentos políticos que se propõem a mudar o mundo usando força bruta, ocupações, invasões ou pichações. Vivemos em uma democracia plena em que a manipulação – escrevo essa palavra sem conotação negativa – da opinião pública é a melhor maneira de realizar mudanças. É por isso que os estudantes precisam – e muito – da amizade da imprensa, e não da sua inimizade. Aquela “arte” dentro do DCE, que mostra um repórter de cara feia ao lado de um policial apontando uma espingarda para a cara de um estudante da UEM é bastante representativo da atitude que a Movimente-se tem, e não deveria ter, para com a imprensa.
    Protestos físicos podem sim dar resultados: um exemplo recente aconteceu aqui em Maringá mesmo, durante o debate sobre o aumento no número de vereadores – e mais tarde o aumento de seus salários. Cidadãos maringaenses ocuparam a câmara municipal pacificamente e sem impedir seu funcionamento. O protesto deu resultado: nenhuma das propostas foi pra frente. A câmara municipal, porém, é um espaço do povo, a reitoria não. Outro lugar que é espaço do povo é a câmara estadual, em Curitiba. Por que não?

Temos então nossos motivos para não realizar uma ocupação esse ano:
1 – Impedir a invasão do campus por partidos ou grupos políticos ou organizações terroristas como o MST.
2 – Não voltar a opinião pública contra os estudantes, tachando-nos de badernistas. Isso é muito mais relevante agora depois do episódio dos pneus.
3 – Não servir como peça de xadrez em um jogo político. Nós estudantes não podemos ser usados para aumentar a popularidade de uma chapa.
4 – Já foi provado que ocupação não dá resultados, existem formas mais efetivas e legítimas de protesto.

Por Reacionário de Merda

quinta-feira, 22 de março de 2012

Texto Reacionário


Gostaria primeiramente de parabenizar o autor do blog, pela iniciativa de estampar uma ideologia que provavelmente é a de muitos acadêmicos da UEM, de forma respeitosa, crítica e construtiva, ora acatando as opiniões favoráveis às propostas pelo blog,ora expondo, ouvindo e respondendo com racionalidade e elegância às ideias contrárias, sempre sendo conciso e direto.
            Estou escrevendo esse texto para expressar a minha opinião quanto a esse assunto, primeiramente gostaria de falar a respeito das pichações. É inegável que a quantidade de pichações aumentou e muito na Zona 7 nesta gestão do DCE, o que usando de uma boa lógica não nos permite concluir com certeza a responsabilidade da mesma quanto a isso, mas as mensagens de cunho ideológico, político e filosófico demonstram a relação com algum grupo organizado, com integrantes exaltados, o que faz a suspeita em cima da Movimente-se seja razoável.
Independentemente das suas crenças, se você é capitalista, socialista ou anarquista, cristão, ateu ou satanista, é a favor ou contra ao aborto, à legalização das drogas ou às privatizações, você deve respeitar as leis do país onde vive, no Brasil a pichação é crime, os responsáveis deveriam sofrer as sanções pelo ato.
Inclusive é algo absurdo você pensar algo tipo “eu sou contra a propriedade privada, logo vou sair pichando as coisas dos outros por aí”. Ótimo! Então se eu não gostar da Dilma significa que eu posso ir lá matar o presidente!? Não é assim que as coisas funcionam...
Quanto à queima dos pneus que ocorreu na quarta-feira dia 14 de Março de 2012, o povo da Movimente-se alegou que não iriam incendiar os pneus, só caso a polícia resolvesse entrar, e jogaram a culpa em “uma iniciativa individual”. Mas foi o povo da Movimente-se que montou as barricadas, mesmo que fosse como eles falaram, quando a gente deseja que a água não transborde de um copo, a gente já o deixa vazio desde o começo, e não o enche até a boca! E se a polícia resolvesse entrar, aquelas barricadas não iam adiantar de nada, a UEM é rodeada de portões baixos e entradas, não existe palavra melhor para aquele ato do que desnecessário. Os responsáveis pela queima dos pneus deveriam pagar do próprio bolso a multa pelo crime ambiental cometido (inclusive se foi a Movimente-se que queimou os pneus, aquela campanha contra a incineração do lixo de Maringá é uma total hipocrisia!).
A respeito dos saraus, eu também fui a favor da proibição dos mesmos, alega-se que eram manifestações culturais, mas o pessoal estava levando bebidas alcoólicas, coisa que não é permitida nas instalações da universidade, os saraus estavam sendo como festas, quando bastante gente começa a quebrar leis por causa de um evento, uma solução bastante adequada é a paralisação deste, como foi feito.
Há um engano comum por parte de alguns que acham que esse movimento reacionário é de direita, eu mesmo sou de centro com leve tendência à esquerda, mal eles sabem que existe bastante gente desaprovando algumas ações e atitudes deles nestes últimos tempos. A minha linha de idéias é racional, é pé no chão. Não estou me baseando em utopias que nunca deram certo, querendo coisas que não posso ter nem deformando informações para que me sejam convenientes, quero um sistema que seja real e eficiente.




Por Galinha Ruiva

quarta-feira, 21 de março de 2012

A verdade sobre o orçamento da UEM

Responda rápido: de quanto foi o corte no orçamento da UEM? 38% parece ser o número mais citado. Alguns citam 50%, outros 53%. Os mais alarmistas citam 72%. No geral, porém, todos parecem concordar que existe um corte e que ele é extenso o suficiente para gerar preocupações mas não para impedir o funcionamento normal da universidade.
A polêmica e potencial político dessa questão faz com que muita desinformação e até mesmo mentiras se propaguem pela universidade. A movimente-se não ajuda, já vi vários números diferentes citados no blog:

O corte de mais de 53% do orçamento se mantém, (16/03/2012)
O reitor (...) falou que o governo tinha efetuado um novo corte no orçamento da universidade, de 72% (28/02/2012)

E até alguns erros crassos de matemática que um aluno do ensino fundamental conseguiria perceber, como nessa citação:

Além disso, corta-se 15 % de cada secretaria, isto é, 15 % da SETI e 15 % da SEED, totalizando 30% de corte na educação paranaense. (9/2/2012)

Pra quem não percebeu o erro: um corte de 15% de cada secretaria significa um corte de 15% na educação paranaense, independente no número de secretarias que o Paraná tenha. Se o Paraná tivesse 10 secretarias o corte não seria de 150%: continuaria sendo de 15%.

Entre as justificativas que já encontrei para essa quantidade de números e informações contraditórias a mais plausível foi que 38% seriam de um corte estadual, relacionado à verba de custeio. E haveria ainda um corte na verba federal de 15%. Somando-se os dois valores chega-se ao número mágico de 53%. Mesmo assumindo que o corte existe e esses são os números reais, somar duas porcentagens referentes a quantias diferentes e dizer que esse é o corte do orçamento total da universidade é ou burro ou desonesto.

Já ouço alguém falar: Mas isso são detalhes, que diferença faz se o corte é de 1%, 5%, 50% ou 100%? O corte está aí e nós já estamos sentindo os efeitos dele! Fora Beto Richa!!! Fora Dilma!!!

Não se exalte e desça dessa cadeira, pessoa hipotética, tudo tem uma explicação. Sem saber a extensão real do corte é possível duvidar até mesmo de sua existência. Se as pessoas não conseguem concordar em uma porcentagem é porque ninguém sabe realmente o que está acontecendo. Alguém poderia pensar: "se ninguém concorda em um número, como saber se o corte existe mesmo? Acho que vou voltar a assistir BBB, essa discussão está me cansando".

Pois é com a ideia de sanar essas dúvidas que eu comecei esse post. Ele se propõe a responder:
- O corte existe?
- Quem são os responsáveis?
- Qual é sua extensão?
- Como confiar em você, ó estranho da internet.

Todos os documentos que utilizarei estão disponíveis publicamente nos sites da pró-reitoria de administração (www.pad.uem.br) e do Banco Central (www.bcb.gov.br).


1 - O orçamento da UEM

Como encontrar o orçamento da UEM: 
no site da pró-reitoria da administração, clique no ano fiscal de interesse. Siga para o link "orçamento e execução orçamentária". Um arquivo em pdf vai abrir. Esse é o orçamento da UEM para aquele ano fiscal.

Como entendê-lo: 
O orçamento tem duas páginas. Na primeira o dinheiro é dividido de acordo com a origem, na segunda o dinheiro é dividido de acordo com o destino. O resultado final total das duas tabelas deve ser o mesmo (se não for, alguém apertou um número errado lá na PAD).
Nas duas tabelas temos uma divisão por coluna: 
A primeira discrimina de onde vieram e para onde vão os recursos. 
A segunda diz qual é o orçamento total daquele ano para aquela linha. 
A terceira informa quanto era o orçamento planejado até o mês que o relatório foi elaborado (geralmente em dezembro, mas pode ser mais cedo).
A quarta coluna mostra quanto realmente foi gasto, a quinta coluna mostra a diferença entre o planejamento e a realidade e sexta coluna mostra, do que foi gasto, quanto foi pago.
Nos importa apenas a primeira e segunda coluna. As demais variam muito de acordo com a data em que o relatório foi elaborado e por isso não nos serve como critério de comparação.

Os dados:
Vamos comparar os anos de 2009, 2010 e 2011.
Lembrando que a mudança de gestão, tanto estadual quanto federal, ocorreu no ano de 2011. Para comparar, além do orçamento total da UEM, quanto é a fatia que é paga diretamente pelo governo do Estado do Paraná, usaremos, além da última linha da tabela, a linha que diz "Fonte 100 - tesouro geral do estado", ela se refere ao dinheiro que é repassado diretamente do governo do Paraná para a nossa estimada universidade. Além disso, a linha pouco abaixo desta, "Recursos P/ outras despesas correntes", também é importante. Ela é a famigerada verba de custeio, de origem estadual.
Os dados são esses:


Tabela 1.1: Evolução do orçamento da UEM nos últimos três anos, sem correção de inflação
Ano
Verba de Custeio
Orçamento Estadual
Total Geral
2009
16.792.378,00
208.601.554,00
298.326.384,00
2010
15.692.270,00
217.284.090,00
308.601.880,00
2011
14.973.084,00
228.311.469,00
348.294.802,00

Não concluiremos nada a partir dessa tabela, porque ela não está corrigida para a inflação. A inflação distorce os valores de 2009 e 2010, fazendo com que eles pareçam menores do que realmente são.


2 - A inflação

Como encontrar:
Os dados de inflação aqui utilizados são do banco central, de origem no IPCA. Para encontrá-los, vá ao site do banco central, na guia sistema de metas para inflação e clique em "histórico das metas de inflação". A coluna que nos interessa é a última, referente ao IPCA. Vamos usar as inflações dos anos de 2009 e 2010.

Como calcular:
Todos os dados referentes a 2010 devem ser corrigidos pela inflação de 2010, multiplicando-os por (1+i/100).
Todos os dados referentes a 2009 devem ser corrigidos pela inflação de 2009 e 2010, multiplicando-os por (1+i/100)(1+j/100).

Os resultados:
Depois de quebrar a cabeça temos a tabela abaixo:


Tabela 2.1: Evolução do orçamento da UEM nos últimos três anos, com correção de inflação
Ano
Verba de Custeio
Orçamento Estadual
Total Geral
2009
18.551.332,74
230.451.984,78
329.575.240,39
2010
16.619.683,16
230.125.579,72
326.840.251,11
2011
14.973.084,00
228.311.469,00
348.294.802,00


A tabela abaixo resume os cortes/aumentos que aconteceram no período:


Tabela 2.2: Corte em várias seções do orçamento nos períodos estudados
Verba de custeio
Orçamento Estadual
Total Geral
Corte 2009-2010
10,41%
0,14%
0,83%
Corte 2010-2011
9,91%
0,79%
-6,56%



3 - Conclusão

Com essa simples análise usando apenas informações públicas muitos mitos caem por terra e finalmente temos nossas respostas.

O orçamento total da UEM aumentou no período de 2009 até 2011, principalmente de 2010 para 2011, quando ele aumentou (por isso aquele sinal de menos) 6,56%.

O orçamento estadual se manteve praticamente estável no período, nunca oscilando mais que 1%.A verba de custeio estadual, que compõe cerca de 5% do orçamento total da UEM, foi a mais prejudicada, sofrendo dois cortes sucessivos. Um de 10,41% durante a gestão Requião e outro de 9,91% no começo da gestão Beto Richa. Nem mesmo somando as duas chega-se perto do 38% que circula por aí. Me pergunto também por quê o corte durante o governo Requião não ganhou pichações no Chain nem invasão de reitoria.


Gostaria de lembrar os leitores que apesar de a reitoria estar recebendo menos dinheiro para o custeio vindo do Estado, é muito fácil para ela remanejar o dinheiro que recebe. E de fato é o que ela vem fazendo nesses últimos 3 anos: a verba realmente gasta com custeio, informada na segunda tabela do orçamento, sofreu um aumento significativo de 21,47% (considerando a inflação) no período considerado.


Esclarecido isso, tenho alguns comentários a fazer.

Me decepciona que a comunidade universitária, que deveria ter um ceticismo e um pensamento crítico desenvolvido, tenha acreditado tão amplamente nessa mentira absurda que o orçamento da UEM tinha sofrido um corte de 38%. Assim como me decepciono agora por ver pessoas acreditando que a UEM sofre alguma ameaça de privatização.

Não poderia fazer essa análise ano passado, pois o orçamento de 2011 ainda não tinha sido divulgado, assim como esse ano não posso avaliar as consequências da invasão da reitoria. Quando o orçamento de 2012 sair essa análise vai ser feita.

Se não existe corte total, por que a nossa faculdade está tão ruim? Considerem a possibilidade de que o problema não está lá em cima, no governador, mas aqui em baixo, no reitor e coordenadores de curso. Talvez a verdadeira falha do sistema esteja neles. Meu curso funciona muito bem desde que entrei na UEM, mas ouço histórias de pessoas de outras áreas que são de arrepiar os cabelos. Será que a reitoria não sabe distribuir o dinheiro? Ou os coordenadores não sabem gerenciá-lo? Meu voto é que muito disso é culpa dos coordenadores de curso.

Por que chamo essa desinformação de mentira? Porque foi uma! Grupos de esquerda têm mencionado esse corte de orçamento e privatização desde antes mesmo do Beto Richa se eleger. Ainda me lembro de entrar na UEM na época da copa do mundo (que é quando acontecem as eleições, ouvi dizer) e receber panfletos de pessoas alteradas dizendo que o Beto Richa iria privatizar todas as universidades do Paraná. Boatos sobre o corte surgiram no dia seguinte que ele foi eleito. A verdade é que a comunidade universitária (professores, sindicalistas e até estudantes) não gostam do PSDB e portanto tem uma parcialidade nesses assuntos.

Eu? Eu não ligo pra partidos, só para dados e ideias.

Por Reacionário de Merda

terça-feira, 20 de março de 2012


Recebemos um e-mail de alguém que teve uma experiência positiva com a movimente-se. Leiam primeiro, depois vem a minha crítica

Minha experiência com o DCE- Gestão Movimente-se

Comecei a me envolver com questões do DCE no início do ano passado. Morava na zona 7 desde criança e dada a minha proximidade e pelo fato de a minha mãe ser professora desta há quase 20 anos, sempre freqüentei a UEM. Me aproximei inicialmente através do sarau, pois lá vi um importante cenário cultural e artístico, onde a gente podia sentar no gramado e ficar de boa, ouvindo música e conversando. Com certeza nessas minhas idas ao DCE vi gente fumando, porém nada além do que se vê no dia a dia normal de baladas, bares, faculdades por aí.
Nessa mesma época assisti a um renascimento do movimento estudantil maringaense, que até mesmo minha mãe notou dizendo: “Nossa, o que está acontecendo? Achei que não havia movimento estudantil em Maringá, nunca tinha visto manifestação de estudante assim.”
Essas manifestações me sensibilizaram muito, pois, ao contrário de vocês que no seu blog dizem: “Muitos de nós não nos incomodamos com a questão política e social, e tudo o que buscamos num DCE é o atendimento de nossas necessidades que surgem no meio acadêmico.”
Eu me preocupo com as condições políticas e sociais do mundo e acredito que tudo passa pela educação. Acredito na educação como instrumento de transformação social e por isso, achei importantíssima a luta promovida pelo DCE me defesa da educação pública, contra o sucateamento e o corte de verbas.
Participei da ocupação da reitoria, do primeiro dia ao ultimo, fiquei feliz com as conquistas deles como se fossem minhas, pois elas também são minhas. São de todos . Toda a sociedade se beneficia quando a educação vai bem. Fui recebida de braços abertos, conheci pessoas maravilhosas, participei de debates, palestras, cursos, assembleias, reuniões, oficinas e etc. Penso que através da minha experiência cai por terra o argumento que muitos usam de que: “O dce é fechado, a gente não sabe o que acontece lá, só sabe depois que já aconteceu”.
Não, ele não é. Tudo é questão de ir atrás, se interessar e querer se informar. Nunca vi ninguém ser maltratado ali por querer uma informação. Aliás, na ultima reunião em que estive presente, vi uma menina declarar seu posicionamento político de direita, apontar falhas e criticar a Movimente-se e ser aplaudida. Foi aplaudida e procuraram responder suas dúvidas e debater.
A porta tá aberta, quem quiser falar é só chegar lá, mas não pense que vai chegar lá e encontrar mesa de sinuca, porque DCE NÃO É BAR.
Minhas palavras acabam por aqui, fico com as de Brecht:

“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ningué
Ninguém se importa comigo”


ATT,
Esquerdista Remelenta

PS: Reis da democracia, já que vcs são assim tão abertos a opiniões contrárias, oposto dessa Movimente-se que vcs pregam, espero que publiquem meu texto. Caso contrário, já estarão mostrando a verdadeira face de quem quer censurar quem.
Um beijo!


Eu não duvido que várias pessoas participem e tenham uma experiência positiva sobre a movimente-se, afinal, ela tinha mais de 200 membros na última eleição da DCE. O que eu acho é que dizer-se de direita em uma assembléia da DCE e ser aplaudida não é uma ocorrência comum. A reação geralmente é completamente oposta, como nos revela o depoimento da última postagem. Mesmo a menina que foi aplaudida não parece ter feito muita diferença nas práticas da movimente-se, ou a última reunião que você foi aconteceu depois das queimas dos pneus? A verdade é essa: os métodos da movimente-se não vão mudar, não importa quantas pessoas de direita sejam aplaudidas em suas assembleias.

(Falando nisso, recebi de fontes seguras que a cúpula da movimente-se colocou fogo nos pneus como retaliação ao SINTEEMAR por não querer unificar sua pauta com a dos estudantes, tenho inclusive os nomes de alguns dos responsáveis. É claro que não posso falar quem é minha fonte segura, mas vou deixar passar que é alguém que apoia a movimente-se.)

O poema de Brecht é muito bom, mostra que não podemos deixar que certos crimes passem impunes sem nos arriscar a ser vítimas de um. É por esse motivo que defendemos a propriedade privada, mesmo a dos outros, contra pichações e depredações.

Por Reacionário de Merda

P.S. Bom pseudônimo, você pegou o espírito do blog

P.P.S. Amanhã ou talvez ainda hoje vai sair aqui um post bombástico que vai abalar as convicções de muita gente. É um post demorado e trabalhoso de fazer porque requer muita pesquisa e fact-checking para garantir que não vai passar nenhuma mentira ou omissão. Fiquem ligados.

Quem são vocês?

SOMOS ESTUDANTES!

Bom, essa é a minha primeira participação nesse blog, então gostaria de começar expondo minha visão sobre o que o DCE significa pra mim e o que ele vem sendo desde que eu entrei na universidade. O DCE, como o próprio nome já diz (Diretório Central dos Estudantes), deve ser um espaço de convivência entre os jovens universitários, onde estes podem levar suas ideias e opiniões sobre o que pensam e vivenciam dentro da universidade e discuti-las com os seus iguais. E, pra ser sincera, esta é a ideia que vem sendo pregada pela MOVIMENTE-SE: venham até o DCE e discutiremos sobre o que é melhor para todos. 
E falando agora com base nas minhas próprias experiências com a MOVIMENTE-SE, sei que não é bem assim. Chegar lá, ouvir o que eles têm a dizer, e concordar é lindo. Agora chegar, ouvir, e se expressar de maneira contraditória com o que eles pensam é praticamente suicida. Você será praticamente forçado a se retaliar em público, seus ideais serão reduzidos a pó. Mas espera um momento... O estudante não tem voz não? Quem dita as regras não são os estudantes? Todos juntos, caminhando e cantando, e seguindo a canção? Era o que eu imaginava... Não sou reacionária (apesar de parecer), não acho que um movimento oposto irá resolver o problema. Só acho que ser radicalista pode não ser a melhor das opções. 
Temos poucos recursos na Universidade, o corte de verbas foi realmente ridículo! E ainda assim vocês acham que é com pichações e fogueirinhas que vamos conseguir alguma coisa? Realmente a reitoria não nos ouve, achei o processo de ocupação digno, isso sim foi válido! Conversas, pautas de discussão, exposição de ideias! Agora pichar as paredes da universidade, que já não tem verba pra nada, é o vandalismo pelo vandalismo! 
Vamos ouvir o extremo oposto de coração aberto MOVIMENTE-SE, deixa que todos expressem suas opiniões para o DCE ser mais bonito! Não se fechem em suas revoluções e aceitem o diferente, afinal, não é isso que vocês pregam? A liberdade de opinião de todos?

Por Marla Singer