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terça-feira, 20 de novembro de 2012

A importância do seu voto

Nos blogs e perfis do Facebook de seis em cada dez esquerdistas criados a danoninho e ovomaltine que estão aliados ao movimento estudantil, encontramos um texto do Brecht, (pelo menos é o que dizem) que certamente você já deve ter encontrado por aí:

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. 
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Não que eu goste do Brecht, ou condene cruelmente os desinteressados pela política por todos os problemas globais. Mas alguma razão ele tem.
Sim, minha gente. Estou aqui pra falar de política, de eleições, do DCE e da importância do seu voto. Tenho quase certeza, pelos últimos resultados das eleições do DCE e o baixo número de votos, que a maior parte da comunidade acadêmica não o valoriza da forma que devia. 
Eu sei que já é desanimador o suficiente ser obrigado a votar a cada dois anos em candidatos que pouco estão interessados nos seus problemas e que, quando eleitos, distorcem metade de suas propostas, levam metade do seu dinheiro e te deixam na merda na maioria dos casos, e que isso torna a política uma área de interesse particularmente desprezível (a menos que você seja de algum partido, claro). Mas muito pior do que isso é não ter o direito de escolher.
Eu sei também que a nossa amada chapa Movimente-se representa algo em torno de meio por cento dos acadêmicos nas suas pautas tendenciosas, e que as passeatas barulhentas, as pichações absurdas e aquele monte de cartazes feitos em papel kraft tiram o pessoal do sério. Mesmo assim, estamos nessa situação ridícula, em que a minoria toma o papel de representante da maioria. Por quê? Ora bolas. Porque quem está interessado neles vota. E você, não.
Dessa vez, estou usando o espaço do blog pra fazer um apelo. As eleições do DCE são dia 22/11, quinta-feira, nos períodos de manhã, tarde e noite. Tem uma urna no bloco do seu curso, e uma pessoa com uma lista de presença para os acadêmicos. Compareça lá. Escolha. É rápido, e poupa você de passar o próximo ano letivo sendo obrigado a aturar a chatice e os abusos da Movimente-se.
As chapas desse ano são a Sedentarize-se UEM (Chapa 1), a Agora Só Falta Você (Chapa 2) e a Movimente-se (dispensa apresentações). Use uns minutos do seu tempo e decida quem merece o seu voto, apareça no dia 22 e vote! Porque a Movimente-se não representa a comunidade acadêmica, mas nunca haverá quem nos represente se não escolhermos alguém.

Por Thessaly


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tudo de podre que há por trás da greve dos servidores

A equipe do Reação UEM teve uma agradável surpresa na última semana: entramos em contato com uma figura, cuja identidade será preservada, que diz ter o compromisso de denunciar as "falcatruas" que ocorrem em nossa universidade. Sendo membro do corpo de funcionários, nosso informante teve acesso a informações de grande relevância a respeito do que está acontecendo por trás dessa novela mexicana da greve. 
Sem mais delongas, vamos partir para o conteúdo: é informação importante demais para ser negligenciada por aqui.
(Lembramos tudo o que vai a baixo nada mais é que o boato que está circulando na UEM entre os próprios servidores e professores. Nada é necessariamente verdade e a Reação UEM não garante a autenticidade de nenhuma das informações)

A primeira informação que recebemos é o Sinteemar tem pressionado o Reitor para manter determinadas falcatruas que ocorrem por detrás dos prédios administrativos, utilizando assim os servidores como massa de manobra para alcançar seu objetivo. Sem divulgar suas verdadeiras intenções, eles alegam que desejam evitar a precarização e barrar o monstro da privatização, objetivos que parecem ser do interesse do todos. No entanto, o buraco é mais embaixo. Sigam-me os bons!

O trem da alegria - que diabo é isso?

Nosso informante pergunta se conhecemos a expressão "trem da alegria". A resposta é negativa, assim como imagino que será a de vocês. Ele explica ser o nome dado a um movimento ocorrido na UEM, entre os anos 80 (errata: começo dos anos 90) e anos 2000, no qual muitos servidores que eram técnicos de nível médio, formaram-se num curso qualquer e, com isso, foram promovidos pela administração (reitoria, conselhos e outros colegiados coniventes com isso). No entanto, esses servidores, para passarem aos cargos de técnicos de nível superior, deveriam passar por novo concurso público. A reitoria, contudo, agiu ativamente nestas promoções, em troca de votos. Entre estes que foram promovidos ilegalmente, haviam alguns técnicos que trabalhavam na procuradoria jurídica da UEM, que se formaram em Direito. (Segundo nossa fonte, em dinheiro de hoje, o aumento dos salários destes seria de 3 mil para 10 mil reais) Não satisfeitos, os advogados souberam que poderiam entrar na justiça alegando serem funcionários do Estado, já que trabalhavam numa universidade estadual. Nos dias de hoje, o salário de um advogado do Estado é de em torno de 22 mil reai$, e assim, os servidores entraram na justiça para receber os anos de salário em que trabalharam também como advogados do Estado. Com isso, a justiça condenou a UEM a pagar 6 milhõe$$$ em indenizações e salários atrasados para estes servidores.
No entanto, nosso magnífico Reitor não tem condições de arcar com este valor. A única saída para este seria "desnomear" estes advogados, já que sua nomeação foi irregular, e assim não teria que desembolsar essa vultosa indenização - que diga-se de passagem, terá de sair de seu bolso, já que a UEM não possui verba pra isso.
Caso o Reitor decida "desnomear" os advogados, também terá de fazer o mesmo com os outros mais 300 funcionários que subiram irregularmente de cargo. O que acontece nesse caso, é que esses servidores que conseguiram seus cargos irregularmente teriam de de devolver o dinheiro recebido. Nossa fonte afirmou que o Reitor tem pretensão de tornar isso realidade, para não ter de ser obrigado, pela Procuradoria Jurídica da UEM a desembolsar 6 milhões de reais. Obviamente, com isso em vista, o Reitor tem sido pressionado pelo Sinteemar a não tomar esse posicionamento: Por essa razão não saem da greve, recusando as propostas do Governo Estadual. O objetivo deles vai além: eles não querem ser prejudicados nessa situação, pretendem fazer com que o Reitor coloque uma pedra sobre tudo isso.
O boato repassado pela nossa fonte anônima é que, coincidentemente, o presidente do Sinteemar foi um dos beneficiados pelo "trem da alegria".
Curioso, não?

As horas-extras

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) descobriu que, por trás da administração, há mais uma falcatrua desprezível sobre as horas-extras do funcionário. Por exemplos, existem servidores que recebiam horas-extras todo mês, há dez anos; funcionários que ganhavam até 6 mil reais de hora extra, e até funcionários de férias que recebiam horas extras. Um caso digno de intervenção policial. O TCE, mais uma vez, se virou pro Reitor e responsabilizou-o por acabar com essa situação, e o que vemos agora é um corte de 70% ou mais das horas extras, e a criação de uma comissão na PRH (Pró-Reitoria de Recursos Humanos) para avaliar os pedidos que vem por parte dos servidores, que devem ser muito bem justificados para ser aceitos. Considerando isso, não é de se surpreender que o Sinteemar tenha como um dos itens da sua pauta o fim dessa comissão criada para avaliar horas extras.
Quando, no começo do ano, o reitor decidiu botar alguma ordem na bagunça e colocar leitor de digitais no RU, a Movimente-se foi contra.
A folha de pagamento da UEM gira em torno de 5 milhões, dos quais, 1,5 milhão era utilizado para pagar essas horas extras (isso corresponde a 30%, uma fatia generosa do nosso dinheiro). Com essa quantia, poderiam ser realizadas as contratações de 1000 funcionários (o déficit que temos hoje é de 300 pessoas), ou 500 professores. É também por essa razão que nosso governador, tão demonizado por aí, não libera contratações.
As assembleias que ocorrem no RU para decidir o destino da greve contam com a participação massiva de funcionários que estavam "mamando na teta do governo", beneficiando-se com o recebimento irregular das horas extras. É por essa razão, que não importa quão abrangentes sejam as propostas do governo, a greve não demonstra indícios de acabar. É uma bela manobra política.

Empréstimos consignados em folha e adiantamento de 13°

Caso alguém não saiba, empréstimo/crédito consignado é uma forma de empréstimo cujo pagamento é diretamente deduzido do holerite do servidor. A lei permite que a percentagem máxima do salário a ser pega em empréstimo é de 30%; no entanto, haviam servidores com empréstimos de até 80%. O Reitor acabou com isso, assim como acabou com o adiantamento de décimo terceiro salário, já que o número de servidores que pediam esse benefício era tão alto que quase chegava a comprometer a folha de pagamento da UEM.

A cisão na reitoria

Sob pressão do Tribunal de Contas do Estado, o reitor Júlio está se esforçando para "moralizar" a UEM e colocar as contas em ordem. A Neusa, vice-reitora, que comprou os votos dos servidores com esses benefícios irregulares, não gostou da ideia. Por isso a reitoria está dividida. A unidade "Julineusa" foi desfeita. O Reitor e a Vice-Reitora tem problemas, considerando que é ele quem tem de dar conta de segurar as consequências dos atos dela para comprar votos dos servidores no passado. O Sinteemar apoia a vice-reitora, e provavelmente acaba com a greve imediatamente se o reitor renunciar.
O reitor está com tanto medo da situação que está pensando até em contratar seguranças particulares.

O DCE

Nossa fonte diz ter duas hipóteses para explicar o apoio do DCE à greve: ou o Sinteemar de alguma maneira comprou o comando da Movimente-se ou a chapa está sendo ingênua e está acreditando nas pautas de mentira. Particularmente falando, eu não duvido de nenhuma das duas.

Privatização

Mais uma vez, falando sobre o fantasma medonho que o Sinteemar (e muita gente afiliada ao DCE) teima em pôr na nossa cabeça. Ainda segundo a nossa fonte, o governo teria privatizado a UEM há muitos anos, se essa fosse sua intenção. Vale ressaltar que em outros momentos da história da Universidade essa ameaça já foi feita, e a simples razão pela qual ela não é e nem será comprida é porque a UEM o ajuda a cumprir suas metas de pesquisa científica, na área social. Com a privatização, a pesquisa acabaria. No Paraná a UEM e a UFPR são as principais responsáveis pelo cumprimento dessas metas, e segundo as palavras de nossa fonte, "quando se fala em pesquisa, a UEM é a menina dos olhos do governo".
Além disso, na UEPG a segurança é terceirizada e funciona sem problemas.

É isso o que temos a repassar para vocês, pessoal. Os motivos pelos quais essa greve tem se desenrolado. O porquê dos servidores desprezarem as propostas do governo, e que, de fato, não são os maiores compromissos desse movimento acabar com a precarização da Universidade. Se buscassem isso, de fato, não estariam muito mais interessados em aumentar seus salários ilegalmente, comendo o orçamento da universidade, a qualquer custo.
É é em nome dessa causa que o DCE vem nos falar pra penasrmos no coletivo...

Nossos agradecimentos especiais a nossa fonte anônima, que por questões de segurança deve permanecer anônima.




      quarta-feira, 19 de setembro de 2012

      A democracia das assembleias estudantis

      No post acerca da greve dos estudantes, questionei sobre o fato dessa decisão ter sido deliberada numa assembleia que costuma contar com a presença de menos de 10% da comunidade discente. Como esperado, o conteúdo do post foi rebatido com um argumento bastante comum:

      "Já que a maioria não concorda com a greve, porque não foram na Assembléia votar contra? Falar que não quer é muito fácil, agora levantar as bundinhas da cadeira e ir lutar pelo que pensa (seja contra ou a favor da greve) ninguém quer né."

      nada a ver isso aí.
      Pois bem, prezado Anônimo, deixe-me discorrer a respeito das assembleias e ao final desse post, espero ter respondido essa questão. Por que as pessoas não frequentam as assembleias pra votar contra? De fato, não temos visto muita participação estudantil nas reuniões organizadas, seja pelo DCE, seja pelos CA's. Por que temos acompanhado esse aparente desinteresse de nossos colegas discentes nas questões políticas? Significa que somos todos apolíticos, desinteressados, apáticos, marionetes manipulados pela Veja e pela Globo, pequenos capitalistas alienados e burgueses, imersos na lógica individualista e neoliberal, perversa e desumanizadora?
      Deixe-me pensar... não.
      Nenhum dos adjetivos usados tantas vezes pelos movimentos esquerdistas pra caracterizar/depreciar/ofender aqueles que discordam veementemente de seu ponto de vista explica a falta de adesão dos colegas aos grupos reunidos para a tomada de decisões importantes em nossa vida acadêmica. Existem, na realidade, outros fatores responsáveis por essas ausências tão grandes.
      O primeiro é, obviamente, a falta de tempo que tanto nos aflige. É claro que, se muitas vezes temos dificuldade pra marcar uma reposição de aula por falta de um horário em comum para quarenta alunos, é impossível encontrar uma data que possibilite a presença de todos. Acredito que os estudantes do período noturno, que muitas vezes trabalham durante o dia, são os mais prejudicados pelo fato de não poderem comparecer nos horários marcados com mais frequência (17:30). Devido a isso, esses estudantes são impossibilitados de dar suas opiniões em assembleia. Aí, pergunto para os organizadores: Isso é justo com esses estudantes? Não seria o caso de pensar em outra estratégia, além de uma assembleia única e definitiva, para que esses alunos também tenham seu direito de escolha garantido?
      O segundo motivo diz respeito especificamente ao desinteresse dos alunos em relação as assembleias. Afinal de contas, se pelo que vemos, a maioria dos estudantes da UEM tem posicionamento político e ideológico contrário ao dos membros do nosso Diretório Central dos Estudantes, por que esses não se manifestam? Aliás, por que escolheram como representantes um grupo que representa uma minoria no corpo discente? Boa pergunta, não?
      Vale lembrar que, não sei por que razão, as eleições estudantis na UEM não consideram o total de votos sobre o total de alunos. Por isso, a Movimente-se se reelegeu no ano passado com 68% dos votos válidos. No entanto, esse total de votos válidos corresponde a quantos por cento sobre o total de estudantes? 10%? 5%? 1%? Por que tanta abstenção tem ocorrido nas eleições para o DCE? Porque somos completos alienados políticos? Me arrisco a dizer que simplesmente a maioria não vota porque não encontra uma chapa com um mínimo de afinidade ideológica e prefere não ser representada por nada.
      No entanto, o significado dessas abstenções monstruosas é totalmente ignorado e somos obrigados a ver um grupo de pessoas ser eleito como nossos representantes. Ao abrirmos mão do nosso direito de escolha, já que não encontramos representantes decentes, damos espaço para que a minoria esquerdista e barulhenta se torne maioria e eleja os seus "camaradas" pra fazerem o que acham correto. Mas aqui, explicito o que todo mundo já sabe: A Movimente-se UEM NÃO NOS REPRESENTA. A maioria da comunidade acadêmica não reconhece a representação de vocês e visivelmente discorda de suas pautas. Acho, na minha humilde opinião, que vocês deviam reconhecer isso, tomar vergonha na cara e parar de tomar decisões entre os seus 1% pelo resto da comunidade acadêmica, se achando nesse direito só porque ninguém mais comparece nas reuniões. Seria bem mais digno.
      No blog da chapa, eles se definem como um grupo heterogêneo (apesar de não conterem ninguém de direita na sua formação), e nos convidam a conhecê-los melhor, dando uma passadinha no bloco 6. Tentam soar simpáticos e convidativos, como o fazem nas chamadas para todas as assembleias, afirmando serem um espaço aberto para a exposição e debate de TODA opinião, seja ela contra ou a favor ao posicionamento do grupo. Aí é que está o grande ponto, o grande truque. Se você for corajoso, vá até uma assembleia organizada pelo DCE e veja com os seus próprios olhos como funcionam as armadilhas que eles preparam para os falantes da oposição. Os convites são feitos, a postura amigável é mantida aos olhos de todos, e dá-se o espaço de palavra para quem quiser falar, de fato. No entanto, qualquer opinião contrária aos ideais esquerdistas/populares/coletivos/"críticos" logo será rebatida, usando algum dos argumentos de sempre. De maneira sutil, tentam fazer com que a opinião divergente soe vinda de uma pessoa despreparada, alienada e ingênua. Reconheço o quanto o pessoal da chapa é eloquente e convincente, usando e abusando de clichês, discursos inflamados e apelações nas suas falas, dissimulando questionamentos feitos de forma que ninguém percebe; caprichando na hora de tentar nos convencer de que somos culpados por fazermos parte da classe média e frequentarmos uma universidade pública. Eles usam de assuntos que mobilizam nosso psicológico e nos pressionam, fazendo com que nos sintamos insensatos e tolos, com as nossas opiniões "manipuladas pelo capital". Faz com que nos percebamos fracos e sem apoio falando perante eles, e é dessa forma que as opiniões divergentes trazidas às assembleias da Movimente-se são sufocadas, e seus falantes, totalmente desestimulados a retornar. Não há diálogo, no sentido da dialética. Nada de novo se constrói numa discussão dessas, somente a ideia de que quem não pensa como eles, na lógica de Marx, não tem quase nada a acrescentar. Responda-me agora, sr. Anônimo: Qual o estímulo que temos para ir num espaço de debate desses?
      A Movimente-se, que tanto tenta nos convencer que somos culpados e "individualistas pequeno-burgueses", é que é realmente egoísta. Sentem-se melhores do que o resto da comunidade discente, bons o suficiente pra acreditar que a democracia equivale aos votos dos 1% de seus membros e simpatizantes, e que têm mais poder de discernimento do que nós, para decidir as pautas importantes para os alunos. Como foi citado num comentário do blog: ao invés de discutir a realização de atividades que abranjam o interesse de todos, eventos esportivos e de lazer para os acadêmicos, realização de cursos de extensão e outros, a chapa se atém frequentemente a discussão de assuntos e causas que não representam a comunidade discente como um todo (MST, Pinheirinho, incineração do lixo, liberdade na Palestina...). Comportam-se não como nossos representantes perante a UEM, mas como um grupo que se julga melhor do que nós, alienados e imersos no sistema, e por isso têm o direito de escolher aquilo que lhes parece mais sensato.
      Movimente-se UEM... você não representa ninguém.

      por Thessaly

      sábado, 15 de setembro de 2012

      a maior piada da greve da UEM


      Tem coisas que só rindo mesmo.
      Só rindo, como diria o "cobrador" do Rubem Fonseca, personagem do conto homônimo que caiu alguns vestibulares atrás na UEM. Não é de se admirar que alguém na comunidade acadêmica tenha tido a ideia de fazer piada com a tão esperada greve, prometida desde o começo do ano, e desenrolada com tantos capítulos e promessas que poderia muito bem comparar-se a uma novela mexicana.
      Desde o começo do ano letivo, com a greve total nas universidades federais, temos sido ameaçados com a "parada" da UEM pelo menos duas vezes a cada mês, indicadas com paralisações (com S, partidários da movimente-se... com S.) absurdas, com espaços de uma semana ou menos, graças aos dois sindicatos que abrangem os trabalhadores da UEM e que aparentemente não são capazes de chegarem num acordo para conseguir os benefícios para cada classe, e sobretudo, a melhora de condições para a educação pública - coisa que dizem por aí ser a maior prioridade por trás das greves, mas eu duvido.
      A lengalenga se arrastou do primeiro semestre para o segundo, e assistimos o movimento grevista perder toda a credibilidade, sendo cada vez mais visto com incredulidade e humor pelos discentes. As paralisações e assembleias, que na teoria tinham o caráter de protesto ou aviso, recebiam adesão parcial do corpo de trabalho da UEM e na prática, tudo o que acontecia era perdermos o almoço no RU nosso de cada dia. Pra arrematar o quadro bizarro, depois de São Tomé já ter sido declarado o padroeiro da greve na UEM - a piadinha mais genial já feita - fomos presenteados com exatas 48 horas de greve dos professores (ou melhor dizendo, do SESDUEM), também com adesão parcial, uma bênção bem recebida por parte dos alunos, que puderam colocar o estudo em dia sem as aulas.
      E assim, aos 45 do segundo tempo, no final do terceiro bimestre, em que estamos cercados por provas e trabalhos, os servidores da UEM deflagram mais uma greve - que convenhamos, está durando muito mais do que todo mundo imaginava, mesmo que só tenhamos completado 4 dias sem aula.
      O direito da greve, legítimo segundo as leis trabalhistas do país, é aceito pelo corpo docente da universidade. No entanto, o que está acontecendo na UEM dificilmente pode ser chamado de greve. Há relatos de funcionários ameaçando trancar alunos dentro das salas de aula e fechaduras sabotadas com palitos de dente. Na última quarta os grevistas anunciaram que os professores que quisessem as chaves poderiam consegui-las com o comando de greve, mas esse não pode ser encontrado no dia. Pode ser considerada legítima uma greve que usa de violência, vandalismo, ameaça de cárcere privado e mentiras? Não é egoísmo que os funcionários tentem obrigar os professores a paralisar mesmo que eles não estejam em greve? Professores, ao contrário dos funcionários, precisam repor as aulas perdidas.
      E como se o quadro já não fosse hilário o bastante, a cereja no sundae da greve foi colocada hoje, com o posicionamento dado pelo DCE que os estudantes estão, também, em greve.
      E aí eu pergunto: quem são esses estudantes?
      Porque eu não estou em greve, nem ninguém pra quem eu perguntei, e eu realmente gostaria de saber quando é que o DCE vai parar de tomar decisões em nome dos estudantes e começar a considerar que nenhuma das decisões tomadas em assembleia representa a opinião da comunidade discente, já que nem 1% dos alunos da UEM frequentam aquele espaço.
      Os "estudantes" deflagraram greve - ou a minoria barulhenta deles - com o argumento de que estão apoiando os servidores na sua luta pela educação de qualidade e o fim do sucateamento da universidade pública, ignorando que os próprios servidores não estão lutando por essas coisas, e sim por mais dinheiro no bolso deles. Há quem não só respeite mas também defenda a greve dos servidores, afirmando que através da ausência deles, poderemos nos livrar da nossa arrogância burguesa e cega, que nos faz julgar que quem faz a universidade de fato são os docentes detentores do saber.
      O grande argumento, então, pra que se considere justa essa "nossa" greve é que os estudantes unam-se aos técnicos como forma de protestar contra o sucateamento das condições do ensino público, que cruzem os braços pra denunciar a situação miserável em que encontramos nossa universidade. Belas palavras, em teoria, mas é preciso pensar racionalmente quanto a isso: se a greve dos servidores já nos enche de dificuldades, uma greve estudantil não vai melhorar nada na nossa situação.
      O objetivo de uma greve é negar à população algum serviço essencial para pressionar aqueles mais poderosos que você a tomar alguma iniciativa a seu favor. É importante, portanto, que a greve afete não só os grevistas, mas sim toda a sociedade. Claramente, não é o que acontece com uma greve de estudantes, onde os únicos afetados são os próprios estudantes.
      Além disso, de que adianta anunciar uma greve que não representa a opinião da maioria dos alunos? O que temos, ao contrário das opiniões sempre apoiadas pelo DCE, é um grande descaso pelo movimento estudantil e o único desejo de continuarmos nossas atividades acadêmicas tão logo quanto possível, na medida do possível, de forma a termos o menor desvio do calendário acadêmico e prejuízo em nossas atividades. Certo ou errado, egoísta ou não, burguês ou não, o pensamento presente na mente da maior parte da comunidade acadêmica tem sua razão de ser e deve ser considerado, ao invés de ser atacado e substituído pela ideia genial de deflagrar uma greve estudantil com propósitos utópicos e sem a menor perspectiva de funcionamento prático.

      E já que falamos de piadas em tempos de greve, não posso deixar de me pegar rindo, de sarcasmo e desolação, quando nesses dias, encontro os colegiais empolgados pelo campus, com as inscrições do PAS na mão. Me dá uma vontade de avisar que essa história de melhor do Paraná é uma cilada, Bino...

      por Thessaly

      terça-feira, 3 de abril de 2012

      Crítica x pensamento crítico

      Esse é um post um tanto diferente dos posts típicos deste blog. Não trata exatamente da Movimente-se, do que acontece diretamente na UEM e das falsas campanhas feitas pela chapa, mas está relacionado ao que acontece nela - não só nela, mas em diversos movimentos e organizações esquerdistas. E é algo que realmente me incomoda.
      Vou chamar isso de distorção do pensamento crítico.
      O termo pensamento crítico é bastante utilizado e disseminado nos cursos de humanas, e em oposição, praticamente inexistente nos cursos das outras áreas. Desde o primeiro ano, os calouros começam a ser cobrados quanto ao desenvolvimento do tal "pensamento crítico", sempre num contexto que fala sobre os enganos e mentiras que nossa sociedade cria para que continuemos a manter o sistema. Para os leitores de exatas e biológicas, cujos professores nunca falaram a respeito disso (e talvez desconheçam o conceito), o pensamento crítico é um julgamento reflexivo emitido por alguém acerca de algo. Segundo definição de Parker & Moore, seria a determinação cuidadosa e deliberada sobre aceitar, rejeitar ou suspender o julgamento acerca de uma dada afirmação e o grau de confiança que alguém deve aceitar ou rejeitá-lo.
      O pensamento crítico é uma ferramenta fundamental para nossa vida, pelo simples fato que é através das reflexões feitas que podemos avaliar se algo é verdadeiro ou falso; ou qual a parcela de verdades e mentiras contidas em determinado argumento e qual é a importância daquilo em nossas vidas. Mesmo sem conhecer o conceito, podemos exercitá-lo muito bem, o tempo todo, sem perceber.
      Contudo, como já citei, percebo uma distorção desse conceito nos movimentos estudantis esquerdistas. Já ouvi diversas vezes, para citar o exemplo da UEM, o pessoal da Movimente-se - ao discutir com pessoas de opiniões diversas - acusá-los de falta de pensamento crítico (junto com as acusações comuns, de serem alienados e etc). No entanto, o grande "pecado" dessas pessoas - veja só - é exatamente questionar os ideais  da chapa.
      A esquerda costuma achar-se muito "crítica" por tentar romper com o status quo, desmistificar o sistema em que vivemos, encontrar todas as táticas de dominação e controle de massa impostas pela "classe burguesa"  e bradar aos quatro ventos que todos nós somos alienados por não nos movimentarmos contra isso e continuarmos fomentando a desigualdade social. E o que fazem quanto a isso? Criticam, é claro. Pegam o "Manifesto do Partido Comunista" (alguns nem isso fazem, confiam plenamente no que é dito pelos "líderes"), e, pautados nas idéias do nosso adorado camarada Marx, escritas há 150 anos e baseadas  numa sociedade um pouquinho diferente (só um pouquinho... não.), começam a criticar todos os aspectos do capitalismo atual. Tomam ele como um enorme flagelo e culpam o sistema por todas as mazelas que causam o sofrimento por aí, como o abandono de animais, a desocupação do Pinheirinho, o machismo e até mesmo a causa palestina de luta por suas terras (alguém da Movimente-se pode POR FAVOR me explicar por que diabos vocês estão afiliados a essa causa e qual a relação dela com o movimento estudantil?). E por aí vai.
      Não escrevi tudo isso para defender nosso atual sistema. O capitalismo é um modelo de relações feito por pessoas, e por isso, é falho e tem sim suas desigualdades e erros, assim como pontos positivos. Essas características, ao contrário do que devem pensar nossos amigos esquerdistas, estariam presentes em qualquer outro modelo político e social, seja o comunismo, o anarquismo, ou seja lá qual o novo movimento defendido nas novas pichações da Zona 7. Meu grande incômodo está na forma como a Movimente-se e o pessoal da esquerda lida com esse sistema. São todos idiotas e doutrinados. Aceitam, sem ousar questionar, as ideologias proferidas por professores traumatizados com a época da Ditadura Militar, totalmente avessos à direita; da mesma forma que lêem Marx como um cristão fanático lê a Bíblia. Nossos amigos de esquerda, que tentam nos ofender dizendo que não temos pensamento crítico quanto à nossa sociedade e que nos deixamos ser alienados, lendo a Veja e assistindo a Globo; fazem a mesma coisa quando lêem a Carta Capital e outros veículos midiáticos do gênero. Eles não refletem, não questionam, não exercitam o bendito pensamento crítico. Por uma razão, talvez: não se questiona a revolução. Seja ela no Pinheirinho, na Palestina ou em qualquer lugar, aquele que se rebela e mostra a injustiça que sofre é sempre aquele que tem razão. E eu me pergunto: será que nunca ocorreu a essas pessoas que todos nós sofremos injustiças o tempo todo... e nem por isso resolvemos nos rebelar?
      E assim, eles trocam o pensamento crítico pela crítica não pensada, e a palavra chave é a doutrinação feita pelas autoridades deles - curioso, para um grupo de pessoas que prega a igualdade completa. Mais curiosa ainda é a quantidade de adeptos que o discurso inflamado e roto acerca de nosso sistema desigual e cruel consegue arrebatar adeptos... mas isso é um assunto do qual pretendo falar em outro momento. É a mera crítica vazia, não construtiva e agressiva, feita só de palavras ásperas que condenam o sistema e quem o defende, sem considerar que nele possa haver algo de bom e valioso - claro, porque isso vai contra os ideais Marxistas.
      Aparentemente, são pessoas que não pensam por si. Pessoas incapazes de assumir que o sistema cruel tem seu lado bom e de formar seu próprio conjunto de opiniões. É difícil sustentar um conjunto próprio de ideologias, e então, eles preferem aceitar um discurso já colocado há diversos anos - que não necessariamente ainda é válido.
      Amigos esquerdistas e/ou da Movimente-se, pra vocês que não chegaram ao seu arcabouço ideológico sozinhos, fica a dica: critiquem-no e encontrem suas falhas e discordâncias. Prometo que é um exercício mais benéfico do que a doutrinação pela qual a maioria de vocês tem passado. E para os outros colegas da UEM, sejam também mais críticos. Não é porque estão dizendo o tempo todo que cortaram 38% da verba da UEM que isso é necessariamente verdade... duvidem mais dos nossos amigos do DCE (e duvidem desse blog também, por que não?).

      Por Thessaly




      domingo, 25 de março de 2012

      Saraus: proibições, legalidade e mentiras

      Esse post trata de uma questão antiga, mas que eu creio merecer um destaque neste blog. Trata-se da realização dos saraus. Quem estava na UEM no ano passado deve se lembrar da discussão que ocorreu entre a Reitoria e a chapa Movimente-se, no que dizia respeito à realização de saraus e outros eventos festivos no campus. A Movimente-se interpretou a sanção da reitoria como um ato de ataque às manifestações culturais acadêmicas, e como forma de resposta, organizou na ocasião um ato e um sarau – sempre reagindo da melhor e mais suave forma possível.
      Aqui está o link da postagem que a chapa fez, falando sobre o Ato Executivo posto em vigor na época. Como é de costume, o texto conta com alguns exageros e distorções da realidade neste ponto, e a intenção desse post é desmistificar mais uma das falas tendenciosas da Movimente-se UEM. Aviso que é um post bem grande, mas vale a pena ser lido.

      "A reitoria expediu o Ato executivo 008/11 argumentando que os eventos culturais promovidos pelos estudantes são baderna que é preciso ser extinta na Universidade."

      Aqui está o link para a portaria que "proíbe" a realização dos saraus. Em nenhum momento, como se pode ler, é citado que os "eventos culturais" são baderna e devem ser extintos. A sanção feita pela reitoria não é uma proibição de fato, diz apenas que qualquer evento, festa, sarau ou outra manifestação festiva necessita de aprovação prévia do reitor para poder ser realizada. A Movimente-se sentiu-se atacada por imaginar que qualquer solicitação feita por parte deles seria negada. Aparentemente, atribuem isso a uma implicância gratuita do reitor e da reitoria e uma vontade de prejudicar deliberadamente os estudantes, restringindo seu acesso à "cultura" (eu tenho minhas dúvidas do quão culturais são os saraus... falarei disso mais adiante), e também prejudicando professores e funcionários. Que tipo de pessoa malvada prejudicaria tantas pessoas assim pelo prazer simples da maldade? Ah, é claro! O Reitor! Ele é realmente uma pessoa muito malvada a serviço do governo estadual...

      "Ponto final; não houve espaço para mais conversa. Contudo, quem esteve presente nestes eventos sabe que isto não corresponde à realidade."

      É mesmo? Já disse que eu tenho lá algumas ressalvas a serem feitas quanto a essa equação sarau = cultura. 

      "O DCE e os CA’s vem movimentado o cenário cultural dentro da UEM e na comunidade externa de uma forma inédita. O Alvorada Folclórica, há pouco tempo, levou ao Jardim Alvorada um domingo de oficinas gratuitas, apresentações folclóricas de Bumba-meu-Boi, Maracatu, viola caipira, teatro de bonecos, etc. A consolidação do Grupo de Maracatu Ingazeiro neste ano e as oficinas abertas de maracatu e as demais que aconteceram na calourada e continuam acontecendo (...)."

      Ok, ok. A gestão da Movimente-se tem um ponto a mais do que a do Bonde do Amor no quesito movimentos culturais dentro da Universidade, justiça seja feita. Durante as calouradas, houve um grande número de oficinas variadas, (ainda que os mosaicos feitos nas mesinhas do DCE tenham deixado-nas inutilizáveis... quem foi o responsável por aquilo?) assim como durante a ocupação da reitoria e outros atos promovidos pela chapa. No entanto, nenhuma dessas oficinas, que de fato têm caráter cultural foi proibida ou barrada pelo "maligno Reitor". Qual a explicação disso, se ele era aparentemente contra as manifestações culturais para os estudantes?
      Além disso, a chapa fala de movimentos culturais feitos fora da comunidade, o que não tem relação nenhuma com a portaria expedida pelo reitor. Apenas um artifício textual para enaltecer o valor da Movimente-se e mostrar quantos atos benéficos para a sociedade fez a chapa que a reitoria quer criminalizar.

      "O que o Ato impõe é que tudo seja silenciado, se não quiser ser criminalizado."

      Beep! Errado. O que o Ato propõe é que não poderão ser realizados eventos sem autorização prévia da PCU/Reitoria. Isso foi feito sem motivo, apenas para dificultar ainda mais a dura vida dos acadêmicos da UEM? Não. Isso também vem mais adiante.

      "(...)  não há espaço nenhum na UEM para convívio e integração dos estudantes."

      Claro! Vocês transformaram o DCE num depósito sujo de tintas, papel e tambores. O texto que criticava a Movimente-se por ter estragado o espaço de convivência que era o DCE na gestão Bonde do Amor foi ridicularizado pelo nosso amigo Burguês Culpado (no nosso segundo post), em que ele nos chamava de playboys por defendermos a idéia da mesa de sinuca lá. A questão não é a mesa em si ou a idéia de transformar o DCE em um boteco, e sim o espaço de convivência que o lugar era. Estudantes de todos os anos e cursos se reuniam ali e podiam relaxar, conversar, conhecer pessoas diferentes e trocar várias idéias, reunidas ao redor da mesa de sinuca. Podia ser um tabuleiro de Banco Imobiliário, uma máquina de algodão-doce ou um quadro de giz. A questão era que o lugar ali estava organizado como um espaço para todos os estudantes e vocês, meus caros da Movimente-se, acabaram com ele. Reflitão oks.

      "(...) Não é isso o que queremos para a UEM! Educação e cultura são direitos, a nossa luta é legítima e diz respeito à toda a sociedade (...)."

      Blá blá blá, o mesmo discurso vazio e inflamado de sempre.

      Bem, aqui se encerra a análise do post, e podemos ter mais alguns entre tantos exemplos das ocasiões em que a Movimente-se distorce as falas alheias em benefício próprio. Aqui, o interesse dela era parecer vitimizada frente a reitoria e passar a impressão de que a chapa (e por extensão, os estudantes todos) eram oprimidos e atacados injustamente pelo reitor, inflamando o ódio ao sistema nos corações universitários (isso merece um outro post). Não, eu não acredito que a reitoria "proibiu" os saraus por  pura birra e implicância com os estudantes - afinal, são pessoas adultas que tomam as decisões na UEM ou menininhas de ginásio? Aliás, não é uma questão de acreditar ou não. Na portaria estão listadas todas as leis e regras nas quais a decisão da reitoria foi pautada, e você pode acompanhá-las aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui (não encontrei o ofício do COMAD disponível na internet). 
      Acompanhando esses documentos, conclui-se que as principais motivações da reitoria para regular a realização de saraus e outras festas são a depredação de patrimônio público e o consumo de entorpecentes no espaço da Universidade, e não a intenção de impedir o acesso à cultura por parte dos estudantes (como podemos ler nesta notícia aqui, publicada no Informativo UEM). Sim, eu sei que o maior problema dos estudantes é a falta de dinheiro, e um show de graça na universidade no final de semana sempre vem bem a calhar. O problema é que além do show e da diversão, para alguns, acontecem coisas para outros que são ilegais, e nem um pouco culturais, como o consumo de drogas - desde a latinha de cerveja até uma carreirinha de pó. O consumo de drogas é ilegal dentro da UEM, ocorre livremente nos saraus e isso seria razão suficiente para impedir a sua realização; mas além disso, ainda há uma boa quantidade de lixo deixada para trás (papéis, incontáveis bitucas de cigarro e latas), e os recentes vandalismos cometidos pelos membros e simpatizantes da Movimente-se, como mais uma vez, nosso amigo Burguês Culpado deixou claro. Além disso, o barulho feito durante a madrugada incomoda algumas pessoas (o pessoal que mora no Chain sofre muito com os ruídos). Essas são razões reais e válidas para que a sanção do reitor fosse feita, e não uma simples implicância e maldade gratuita como a Movimente-se tentou passar para a comunidade acadêmica. São também, por estas mesmas razões que a chapa sabia que qualquer pedido seu para a realização de um sarau seria vetado. Em suma: Não tem nada a ver com a questão da cultura, e sim com a legalidade de algumas ações realizadas. 
      E aliás, se você  tem interesse em mais atividades culturais, legais e que não venham a infringir nenhuma lei, entre aqui no site da DCU e se inteire das atividades que a UEM oferece - e que a maioria das pessoas acaba não sabendo.


      Por Cher Guevara

      segunda-feira, 19 de março de 2012

      Nós queremos vocês!

      Olá pessoal! Isso é um chamado. Nós, do Reação UEM, gostaríamos que vocês escrevessem para o blog. Sintam-se a vontade para dizerem o que pensam da situação da nossa universidade e do DCE, para contar experiências ou simplesmente relatar insatisfação. Representem-se nesse espaço!
      Enviem para o reacaouem@gmail.com o material que gostariam que publicássemos e escolham um pseudônimo. Não aceitamos posts que contenham ofensas ou difamação de pessoas (porque nós temos medo de processos e cadeia, ao contrário de algumas pessoas da nossa universidade). Não se sintam acanhados. Esperamos que vocês tenham muitas contribuições a nos dar!

      Por Cher Guevara

      quinta-feira, 15 de março de 2012

      Sobre os motivos que levaram a criação deste blog.

      "Reacionário é todo aquele que se contrapõe à Revolução, entendida como a subversão da estrutura socio-econômica e política da sociedade, para a resolução das contradições sociais em determinado momento histórico. Nesse sentido, entende-se como reação o conjunto de forças que atuam no sentido de retorno a uma situação passada, revogando mudanças sociais, morais, econômicas ou políticas."


      O incidente com a queima de pneus em três portões da UEM, no dia 14/03, gerou muita polêmica e comentários nas redes sociais e no próprio espaço físico da universidade e arredores. Pude perceber o quanto existem pessoas bastante insatisfeitas com a atual chapa eleita para o DCE da UEM, a Movimente-se. O descontentamento não engloba apenas o ocorrido na última terça, mas diversas ações da chapa, feitas nessa gestão e na anterior. Há críticas ao que foi feito com o espaço do DCE, que durante as gestões 2009-2010 da chapa "Bonde do Amor" era um verdadeiro espaço de convivência para acadêmicos de todos os cursos, que se reuniam diariamente, na mesa de sinuca ou nos sofás. Atualmente, aquele espaço tornou-se um depósito de tintas, cartazes e instrumentos musicais, e não é mais aberto a todos os estudantes, apenas aos membros da chapa. Os estudantes da UEM perderam, portanto, um espaço de socialização - dos poucos existentes. Outras críticas dizem respeito ao vandalismo exagerado que tem sido feito na UEM. A cada dia, surgem novas pichações, enfeiando o espaço já precário que temos em nossa universidade, com ofensas e palavas de ordem contra o governo e nosso atual sistema político - atitudes que nada constroem em relação a melhora da nossa vida universitária (discordam?). A chapa Movimente-se também é criticada por filiar-se e levantar constantemente bandeiras de partidos políticos e movimentos de orientação política esquerdista, desagradando a grande maioria dos estudantes, por possuírem orientação política diferente ou mesmo não possuírem nenhuma preferência partidária. O DCE, que deveria representar a comunidade discente, não o faz - ou melhor, representa a parcela minoritária daqueles que simpatizam com partidos esquerdistas, estão determinados a mudar nosso sistema político e não se incomodam em vandalizar nosso espaço.
      A chapa Movimente-se afirma ser uma chapa livre e convida a todos para suas reuniões, às terças-feiras, 17:30; e costumam defender-se das críticas dos outros estudantes culpando-os por não comparecerem em suas reuniões e exporem seus pontos de vista lá. No entanto, a presença de pessoas trazendo opiniões que vão de encontro aos principais ideais da chapa é malvista e rechaçada (falo por experiência própria). Embora não me refira a todos os membros da chapa, uma boa parcela dos membros costuma agir de forma intolerante e até agressiva a opiniões que, principalmente, vão de encontro a suas posições políticas. Basta passar em frente ao DCE (localizado no bloco 006, próximo a Cantina Central, se alguém não sabe) pra encontrar ofensas ao governo de Beto Richa e outros "tucanos". Como os estudantes simpatizantes dos partidos de direita sentem-se em relação a chapa?

      Do Estatuto do DCE:

      "Art. 5º - É vedado ao DCE participar de qualquer atividade que implique em tomada de posições político-partidárias ou religiosas."

      Sabemos o quanto a chapa Movimente-se é engajada em movimentos de posição política definida. No ano passado, organizou  o "pula catraca" dos ônibus da empresa TCCC, como forma de protesto contra o aumento do preço da passagem, demonstrando também desprezo aberto à administração municipal de Silvio Barros. Aqui, não defendo a administração atual, tampouco o aumento do preço dos passes de ônibus, mas acredito que essa manifestação, assim como outras, não está de acordo com todos os estudantes da UEM, (seja pelo seu teor ou pelos meios utilizados) que estão representados por esse grupo de alunos. Acredito que a principal função do DCE, antes de "mudar o mundo", seja atender as queixas dos estudantes e representá-los bem, buscando coisas simples, porém necessárias na nossa defasada universidade. E aparentemente, a Movimente-se está longe disso. 
      Além de estarmos mal representados, não temos um espaço acadêmico em que podemos nos expressar livremente, sem recebermos olhares e comentários críticos - que estão longe de uma verdadeira "postura crítica", pois a prática comum é ouvir coisas do gênero "você está alienado", "esse seu pensamento segue a lógica do capital", "você é apenas um burguesinho egoísta" ou "um reacionário de merda". 
      Reacionário.
      Muitos de nós não nos incomodamos com a questão política e social, e tudo o que buscamos num DCE é o atendimento de nossas necessidades que surgem no meio acadêmico. Mesmo assim, pessoas como nós, com uma postura oposta a deles, costumamos ser xingadas de reacionários. Uma palavra que vem com toda uma conotação negativa, que carrega um estigma, do capitalismo, do egoísmo e da completa alienação para com o mundo que vivemos.
      Nós não estamos alienados. Só vemos as coisas de forma diferente de vocês.

      E esse blog, o Reação UEM, que não pertence a uma chapa, nem mesmo tem uma posição política definida, surge como espaço para mim e para todos aqueles que discordam das atitudes da chapa Movimente-se e desejam se sentir representados e ouvidos - de alguma forma.
      Escrevam pra este blog, se vocês desejarem dizer qualquer coisa em relação à UEM e à sua falta de voz.

      Apoio, desabafos, críticas, frases soltas, choradeiras e berradores para reacaouem@gmail.com.


      (Por Cher Guevara ;)