Há algo de podre no movimento estudantil. De fato, há algo de podre em qualquer movimento em que não se respeita as opiniões divergentes ou que se usa de tumulto e chacota para abafar as ideias dos outros. O sentimento que qualquer pessoa racional sofre ao assistir um debate como o de hoje só pode ser um: depressão. Depressão por ver que os jovens universitários, responsáveis por levar adiante os ideias de democracia, diálogo, respeito e liberdade de expressão, estão tão ocupados tentando destruí-los.
O debate do dia 20 contou com a presença de cerca de 120 pessoas (isso é, cerca de 0,5% dos estudantes da UEM), e era um jogo de cartas marcadas. Desde o início o pessoal da Movimente-se (muito mais numerosos) se posicionou para conseguir completo domínio das reações da platéia. Certamente tiveram antes do debate um curso rápido com os profissionais do autoritarismo sobre como se comportar em um debate (basicamente: vaia e tumulto quando o adversário fala). O debate atrasou incríveis 50 minutos, e a Chapa 1 (previsivelmente) não compareceu.
O debate foi dividido em cinco blocos, esse resumo também será.
Primeiro Bloco
No primeiro bloco as chapas se apresentaram por cinco minutos.
A apresentação da Movimente-se teve algumas pérolas, vou comentá-las uma a uma. Tenha em mente que nem tudo o que está escrito aqui foi dito literalmente, uma vez que minha memória é boa, mas não perfeita.
Pérola um: "A chapa 2 é aliada do governo estadual"
Nada poderia estar mais longe da verdade. Uma simples visita ao blog da ASFV revela que eles criticam duramente - eu diria que por vezes injustamente - o governador do estado.
Pérola dois: "Nós não olhamos os problemas individualmente, mas como resultado de um governo que vem atacando a educação".
Um governo que ataca a educação? Isso só faz sentido se você for de um partido de oposição (oh... wait).
Peróla três: "O Bonde só lutou pelas vias institucionais"
Essa é uma afirmação típica de quem sofre do que chamo de "síndrome da ditadura". Explico: querem uma ditadura nova só para poder lutar contra ela. Essa síndrome é uma verdadeira epidemia entre os participantes do tal movimento estudantil, a ponto de se referirem a ditadura como "tempos áureos". Em uma democracia, não se luta com paus e pedras, mas com representação, expressão, diálogo e voto. Isso é, pelas vias institucionais.
Fazendo uma digressão aqui sobre a síndrome da ditadura: A ditadura durou 21 anos e acabou faz 27, ou seja, acabou há mais tempo do que durou. Mesmo assim, todo o discurso do movimento estudantil, especialmente o realizado pelas chapas de extrema-esquerda como a movimente-se, ainda assume que o governo é inimigo e que a única maneira de representação é na base do grito..
Em seguida, a chapa de oposição, fez sua apresentação. Me soou fraca. Falaram sobre representação e democracia para uma audiência composta principalmente por gente que se sente representada pela Movimente-se (os famosos nem 1%). Foi um discurso bom, proferido pela pessoa sem muita convicção e para uma platéia apática que não entendia que a Movimente-se não representa boa parte dos estudantes.
Segundo Bloco
No segundo bloco foram feitas perguntas de chapa para chapa, a partir de temas sorteados.
A primeira pergunta foi feita pela Movimente-se com o tema "Extensões", foi uma pergunta vaga (do tipo: que que cê vai fazê sobre as extensão?), e recebeu uma resposta igualmente vaga (umas coisa muito massa, truta). Na réplica, a Movimente-se mostrou que é capaz, sim, de ter um candidato a prefeito, repetindo um discurso claramente decorado que caberia mais em um debate de Presidente da República do que de chapa de DCE (nós estamos presentes nas extensões e blá blá blá). Na tréplica, tão vaga quanto todo o resto, o que me chamou a atenção foi a primeira incidência de tumulto criado pela Movimente-se para impedir ou prejudicar a fala da Chapa 2, com um membro proeminente da Movimente-se na platéia (a partir daqui referido como "Pastor" por sua maneira doutrinadora de falar) gritando "Vai se sentar no colo do reitor", gerando risos na platéia de macaquinhos treinados. Não só demonstrou todo o poder de argumentação da chapa, como mostrou o que realmente acham de democracia e liberdade de expressão.
A segunda pergunta, de longe minha parte preferida do debate, partiu da Chapa 2 e teve como tema "opressão". A pergunta foi mais ou menos "O que a Movimente-se vai fazer sobre a opressão policial que alunos da UEM sofrem?". Uma pergunta que eu achei que faria sucesso entre os maconheiros da Movimente-se, e das outras chapas também, por que não? Mas não foi o que aconteceu.
A menina da Movimente-se disparou gritando "Você não sabe o que é opressão, opressão é negro, mulher, índio, gay". Não contente em desviar completamente o foco da pergunta, de algo que influencia na vida dos estudantes para algo completamente sem relação, ainda acusou um dos membros da chapa 2 de ser machista e homofóbico por ter publicado um comentário em certo blog (caham, esse aqui mesmo), distorcendo completamente o sentido das palavras da pessoa. É claro que foi imediatamente aplaudido pelos macaquinhos.
Na réplica, a Chapa 2 respondeu o óbvio: não eram homofóbicos nem machistas. E tentaram consertar mais ainda, ao meu ver erroneamente, dizendo que iriam buscar ações afirmativas durante sua gestão. Já tratei aqui sobre o papel do DCE, que não é o de corrigir as mazelas do mundo.
Na tréplica, a Movimente-se disse uma coisa interessante e que merce uma digressão: que machismo e homofobia não são subjetivos. Ou seja: uma pessoa homofóbica e machista é má. Não sou filósofo, mas acredito que desde que a filosofia se desligou da teologia poucos filósofos levam a sério a ideia de uma moralidade absoluta. Na verdade, todos os assuntos são passíveis de discussão, desde "Devemos construir Belo Monte?" até "Será que escravidão é uma boa ideia?". Se você acha que a resposta das duas perguntas é óbvia e sem possibilidade de discussão, parabéns, você tem vocação para ditador. Se você acha que a primeira pergunta pode ser discutida, mas a segunda tem uma resposta absoluta, bem... só me resta falar que talvez sua resposta fosse oposta se você tivesse nascido como classe alta duzentos anos atrás.
O que quero chegar aqui é bem simples: moralidade não é absoluta. Moralidade deve ser argumentada e pensada de acordo com a lógica e com o estado da sociedade.
Na verdade, a ideia de moralidade absoluta só serve a uma classe de pessoas: líderes absolutistas. Hum...
A terceira pergunta foi sobre infraestrutura. Basicamente a Movimente-se perguntou como a Chapa 2 iria negociar verbas se é aliada da reitoria. A Chapa 2 respondeu que não é aliada da reitoria (não acho que isso seja verdade) e disse o óbvio: quem libera as verbas é o governador, e não a reitoria. É claro que os macaquinhos da Movimente-se vaiaram.
A quarta pergunta foi sobre o corte de verbas (alguém no fundo levantou um cartaz escrito "Citation needed", sou fã desse cara). A pergunta da ASFV foi na verdade a afirmação que a movimentação do DCE nos últimos anos não levava a nada (como uma barata tonta).
A Movimente-se respondeu que tinha revertido um corte nas bolsas de pesquisa e extensão com... diálogo. Talvez os macaquinhos da Movimente-se não tenham percebido a contradição, mas ela estava óbvia e dançando na cara de todo mundo. A maior conquista da chapa nesses dois anos não se deu com ocupação, baderna, greve ou maconha, mas com... diálogo. Mostrando, pra quem quiser ver, que a representação funciona e que o governo não está lá pra embalar e vender.
Na réplica, mais interrupções do Pastor.
Terceiro Bloco
O terceiro bloco teve respostas às questões da fanpage da comissão eleitoral (Hã? Eu também não sabia dessa). A pergunta era sobre "O que é o DCE, o que ele faz?". As duas chapas responderam.
Rápida e inexplicavelmente, a discussão se voltou para as atléticas. A chapa 2 comentou que o estatuto do DCE tinha sido feito antes da criação das atléticas, e que estava sendo ignorado. A Movimente-se respondeu que o estatuto do DCE deveria ser refeito por eles (tenho calafrios só de pensar) e que a violação do estatuto começou na gestão do Bonde. Usaram, portanto, a técnica preferida dos petistas de apontar os problemas dos outros e culpá-los pelos próprios.
Esse bloco viu o debate se dissolver em um concurso de palmas. Aparentemente as regras mudaram de "melhores argumentos vence" para "mais barulho vence". É claro que o grupo que causava mais tumulto era a movimente-se, liderado pelo pastor e suas frases de efeito impressionantes ("Agora só falta você... ir embora").
Quarto bloco
No quarto bloco houve respostas às questões da audiência, previamente colocadas em uma urna. Devido ao maior número de pessoas da Movimente-se, a maioria das questões era voltada para a Chapa 2.
A primeira a responder foi a ASFV, a pergunta foi sobre igualdade de gêneros, uma clara alusão ao episódio do machismo no comentário do blog-que-não-deve-ser-nomeado.
Entre uma das coisas que a Chapa 2 respondeu foi que entre os membros da chapa estão gente "de esquerda, centro e direita". A menção da direção espacial "direita" imediatamente fez estourar o radar-ditadura dos macaquinhos, que começaram a cochichar. E depois ainda dizem que a direita não é demonizada no ambiente universitário...
A chapa 2 também respondeu uma questão bem besta "O que é ideologia". O cara começou "Essa me parece uma questão bem técnica" e foi imediatamente vaiado. Parabéns, Movimente-se, vocês treinaram bem seus macaquinhos.
A pergunta seguinte tocou no ponto fraco de todo movimentador estudantil: a ligação entre sarau e drogas. A pergunta acusava a Movimente-se de ser complacente com o tráfico de drogas realizado nos saraus, que deveriam ser festas culturais. O líder da Movimente-se respondeu, desconversando e falando que a realização de saraus era uma vitória. Imagino que fumar maconha em um ambiente sem fiscalização também seja uma vitória para alguns.
Espera... fumar maconha é certo ou errado? Onde está a Movimente-se, detentora da moral absoluta, para me responder?
Quinto bloco
O quinto bloco teve as despedidas das chapas, de 5 minutos cada. Não foi falado nenhuma novidade, e houve mais um concurso de palmas e tumulto.
Considerações finais
Não tinha como a Chapa 2 ganhar esse debate, mesmo que tivessem feito um bom trabalho, o que não fizeram. A platéia era quase 80% Movimente-se e claramente pouco interessada no que a oposição tinha a dizer. Mesmo assim, alguns assuntos ficaram como elefantes na sala, sem serem mencionados. Entre eles:
- A greve dos estudantes
- O abaixo-assinado dos alunos de Engenharia Química, dizendo que não reconheciam a representação do DCE
- O apoio da Movimente-se à grupos de extrema-esquerda ou puramente baderneiros, como MST ou PSTU.
- Como uma chapa cheia de gente de partidos políticos pode se dizer independente?
Em termos eleitorais, esse debate foi inútil. Imagino que havia no máximo umas 5 pessoas indecisas ali, e elas provavelmente foram embora traumatizadas antes do fim do terceiro quadro. Tudo era um grande teatro destinado a mostrar a força da militância de cada chapa.
Se podemos concluir alguma coisa desse debate, é que ir a debates de DCE é uma perda de tempo e faz mal para a saúde mental. Faça como a Sedentarize-se, tire um cochilo.
Reacionário de Merda
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Qual é o Papel do DCE?
No começo do ano, o blog estreou com uma frase do tão esquecido estatuto do DCE:
"Art. 5º - É vedado ao DCE participar de qualquer atividade que implique em tomada de posições político-partidárias ou religiosas."
Com certeza o artigo mais ignorado do estatuto, sua violação já é tão rotineira que a mera sugestão que não haja partidos ou grupos políticos envolvidos na gestão geraria risadas tanto entre os membros da Chapa 2 quanto da Chapa 3. De fato, apesar de ser utilizado quase exclusivamente para esse fim hoje, o DCE não foi concebido como um instrumento político, e sim como um órgão de representação dos estudantes.
É claro que isso não impediu que nossa querida chapa Movimente-se apoiasse:
- Movimento Anti-Homofobia
- Marcha das Vadias
- MST
- Não à reforma do código florestal
- Movimento Passe Livre
- Reforma Agrária
- Pare Belo Monte
- Liberdade para Palestina
Algumas coisas listadas certamente contam com o meu apoio (como o Movimento Anti-Homofobia) ou me são indiferentes (como a Marcha das Vadias). A qualidade do movimento político não muda o fato de que ele é um movimento político com pouca relação com os estudantes da UEM.
Essa lista foi feita apenas com os banners do lado direito do blog da Movimente-se. Além disso há uma gama de ações feitas pela chapa que tiveram claramente um objetivo político, como a greve dos estudantes, a invasão da reitoria e a queima dos pneus. O DCE não tem uma sanção dos estudantes para apoiar o que quiser, mas deveria se recolher a sua insignificância e ser apenas um órgão de representação. Na verdade, representar os estudantes foi o que a chapa menos fez nesses dois anos de gestão.
Não que a Chapa 2 não tenha o mesmo problema. Sendo formada principalmente de gente do PCdoB e do PT (esses dois partidos se confundem na minha cabeça), ela também tem seus momentos de pregação política. Antes mesmo de se elegerem, já estão fazendo barulho pelo uso de 100% dos royalties de petróleo na educação (uma ideia absurda, se alguém perguntar eu explico por quê) além das já esperadas críticas ao governo Beto Richa, chegando ao ponto de dizer que o corte de orçamento da UEM chegou aos 70% (!!!!).
Uma chapa ideal seria a que entendesse que os problemas que devem ser resolvidos estão dentro da UEM, não fora dela, e que vencer uma eleição de DCE não dá um cheque em branco para que a chapa apoie o movimento que quiser.
Reacionário de Merda
"Art. 5º - É vedado ao DCE participar de qualquer atividade que implique em tomada de posições político-partidárias ou religiosas."
Com certeza o artigo mais ignorado do estatuto, sua violação já é tão rotineira que a mera sugestão que não haja partidos ou grupos políticos envolvidos na gestão geraria risadas tanto entre os membros da Chapa 2 quanto da Chapa 3. De fato, apesar de ser utilizado quase exclusivamente para esse fim hoje, o DCE não foi concebido como um instrumento político, e sim como um órgão de representação dos estudantes.
É claro que isso não impediu que nossa querida chapa Movimente-se apoiasse:
- Movimento Anti-Homofobia
- Marcha das Vadias
- MST
- Não à reforma do código florestal
- Movimento Passe Livre
- Reforma Agrária
- Pare Belo Monte
- Liberdade para Palestina
Algumas coisas listadas certamente contam com o meu apoio (como o Movimento Anti-Homofobia) ou me são indiferentes (como a Marcha das Vadias). A qualidade do movimento político não muda o fato de que ele é um movimento político com pouca relação com os estudantes da UEM.
Essa lista foi feita apenas com os banners do lado direito do blog da Movimente-se. Além disso há uma gama de ações feitas pela chapa que tiveram claramente um objetivo político, como a greve dos estudantes, a invasão da reitoria e a queima dos pneus. O DCE não tem uma sanção dos estudantes para apoiar o que quiser, mas deveria se recolher a sua insignificância e ser apenas um órgão de representação. Na verdade, representar os estudantes foi o que a chapa menos fez nesses dois anos de gestão.
Não que a Chapa 2 não tenha o mesmo problema. Sendo formada principalmente de gente do PCdoB e do PT (esses dois partidos se confundem na minha cabeça), ela também tem seus momentos de pregação política. Antes mesmo de se elegerem, já estão fazendo barulho pelo uso de 100% dos royalties de petróleo na educação (uma ideia absurda, se alguém perguntar eu explico por quê) além das já esperadas críticas ao governo Beto Richa, chegando ao ponto de dizer que o corte de orçamento da UEM chegou aos 70% (!!!!).
Uma chapa ideal seria a que entendesse que os problemas que devem ser resolvidos estão dentro da UEM, não fora dela, e que vencer uma eleição de DCE não dá um cheque em branco para que a chapa apoie o movimento que quiser.
Reacionário de Merda
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O modelo falido das assembleias estudantis, a deturpação da democracia.
Um dos temas mais explorados por esse blog foi o modelo Movimente-se de decisão, formado por assembleias frequentadas por menos de 1% dos alunos com poder absoluto de decidir pelos outros 99%. Nós falamos sobre a truculência e manipulação presentes nesses encontros, falamos sobre como esse método de decisão foi usado irregularmente para começar uma greve estudantil que a maioria dos alunos não queria.
Não é de se surpreender que uma das principais pautas da Chapa 2 seja um maior diálogo com os discentes. Entretanto o que é muito bonito na teoria pode acabar sendo um desastre na prática, é só lembrar que uma das pautas da Movimente-se original era exatamente essa: maior comunicação e transparência, ao contrário da chapa Bonde do Amor, que decidia tudo sem ouvir muito os estudantes. E todos nós sabemos o que resultou disso.
Falar é fácil, enquanto a Chapa 2 não explicar, com detalhes, como exatamente vai se dar a comunicação e o diálogo na gestão deles não dá pra levar muito a sério essa conversa. Ironicamente, a proposta deles de maior diálogo precisa exatamente disso: mais diálogo. Não é um bom começo.
A chapa Movimente-se não gostava do diálogo com os estudantes por um motivo simples: os estudantes eram contra o projeto político deles. É por isso que eles mantiveram o esforço de começar uma greve de estudantes mesmo quando a maioria dos alunos claramente não a queria.
Será que a Chapa 2 vai desistir de seu projeto político se a maioria dos alunos for contra ele? Não temos motivos para acreditar que vai. Conhecendo a maneira com que ambas as chapas são vassalos de partidos políticos e querem usar o DCE como trampolim político, é um tanto ingênuo acreditar que eles iriam.
Estamos assistindo uma deturpação dos valores democráticos, não só a nível de UEM, mas a nível de Brasil. A democracia, cujo objetivo sempre foi a liberdade, está sendo redefinida como simples representação. É por isso que ouvimos por aí que a política de cotas vai "democratizar" a universidade. Ora, mesmo para quem acha a política de cotas justa e eficiente, democratizar definitivamente não é a palavra certa, e sim "popularizar" ou "tornar mais acessível para as classes mais baixas". Reitero: o que define a democracia é a liberdade, não o voto.
Essa mudança do significado da palavra democracia está sendo realizada, ironicamente, pelo partido preferido de nove em cada dez membros da Chapa 2: o PT. Como confiar em quem se diz democrático, mas defende regulação da mídia em benefício de mensaleiros? Como confiar em quem se diz democrático, mas sonha em passar por cima do Judiciário quando esse não faz o que o partido quer?
Isso não significa, claro, que não quero que a Chapa 2 vença. De fato, vou votar na chapa 2, apenas porque quero ver a Movimente-se fora do bloco 6 e realmente acho que a gestão do Bonde, com todos os seus defeitos, foi a melhor da história recente da UEM.
Reacionário de Merda
Não é de se surpreender que uma das principais pautas da Chapa 2 seja um maior diálogo com os discentes. Entretanto o que é muito bonito na teoria pode acabar sendo um desastre na prática, é só lembrar que uma das pautas da Movimente-se original era exatamente essa: maior comunicação e transparência, ao contrário da chapa Bonde do Amor, que decidia tudo sem ouvir muito os estudantes. E todos nós sabemos o que resultou disso.
Falar é fácil, enquanto a Chapa 2 não explicar, com detalhes, como exatamente vai se dar a comunicação e o diálogo na gestão deles não dá pra levar muito a sério essa conversa. Ironicamente, a proposta deles de maior diálogo precisa exatamente disso: mais diálogo. Não é um bom começo.
A chapa Movimente-se não gostava do diálogo com os estudantes por um motivo simples: os estudantes eram contra o projeto político deles. É por isso que eles mantiveram o esforço de começar uma greve de estudantes mesmo quando a maioria dos alunos claramente não a queria.
Será que a Chapa 2 vai desistir de seu projeto político se a maioria dos alunos for contra ele? Não temos motivos para acreditar que vai. Conhecendo a maneira com que ambas as chapas são vassalos de partidos políticos e querem usar o DCE como trampolim político, é um tanto ingênuo acreditar que eles iriam.
Estamos assistindo uma deturpação dos valores democráticos, não só a nível de UEM, mas a nível de Brasil. A democracia, cujo objetivo sempre foi a liberdade, está sendo redefinida como simples representação. É por isso que ouvimos por aí que a política de cotas vai "democratizar" a universidade. Ora, mesmo para quem acha a política de cotas justa e eficiente, democratizar definitivamente não é a palavra certa, e sim "popularizar" ou "tornar mais acessível para as classes mais baixas". Reitero: o que define a democracia é a liberdade, não o voto.
Essa mudança do significado da palavra democracia está sendo realizada, ironicamente, pelo partido preferido de nove em cada dez membros da Chapa 2: o PT. Como confiar em quem se diz democrático, mas defende regulação da mídia em benefício de mensaleiros? Como confiar em quem se diz democrático, mas sonha em passar por cima do Judiciário quando esse não faz o que o partido quer?
Isso não significa, claro, que não quero que a Chapa 2 vença. De fato, vou votar na chapa 2, apenas porque quero ver a Movimente-se fora do bloco 6 e realmente acho que a gestão do Bonde, com todos os seus defeitos, foi a melhor da história recente da UEM.
Reacionário de Merda
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Eleições 2012
"A strange game. The only winning move is not to play"
Olá, senhoras e senhores.
Esse post começa a nossa cobertura das Eleições 2012 para a nova chapa do DCE.
Hoje faremos uma revisão das chapas participantes. Quem são, o que querem, quão dispostos estão a chegar lá e, principalmente, quem são seus aliados. Começaremos na ordem decrescente, por motivos que ficarão óbvios.
Observação: nossa análise não é imparcial, se você quer imparcialidade, leia "O Diário de Maringá".
Nossas indicações de jornais também não são imparciais.
Nossas indicações de jornais também não são imparciais.
CHAPA 3 - Movimente-se
Slogan: Pela independência do DCE
Principais bandeiras: baderna, maconha, invasão da reitoria, pichações, maconha, luta contra a ditadura, xerox a 7 centavos (eles falam 0,07 centavos), abaixo Dilma, abaixo Beto Richa, tudo isso embalado e rotulado como movimento estudantil.
Alianças: são fantoches do PSTU e PSOL
Aqui temos o que já temos: uma gestão do DCE que esqueceu a parte da gestão e confundiu representação estudantil com baderna estudantil. É a chapa que inventou a mentira do corte de 38%, pichou a UEM inteira com sua pautas, invadiu a reitoria, mentiu sobre o reitor, arrastou os estudantes pra dentro de uma greve política, jogando fora o estatuto do DCE e o bom senso. Enfim, leiam o arquivo do blog e terão um resumo da história da UEM esses últimos dois anos.
Analisando o slogan da chapa já temos uma contradição: a Movimente-se não é independente, mas é usada como instrumento de partidos políticos de extrema-esquerda. Essa também é a chapa que destruiu o bloco 6, que costumava ser um centro de lazer para os estudantes e agora é um quartel general.
O histórico de realizações concretas dessa chapa é sofrível. A única coisa que realmente mudou para melhor nesses últimos dois anos foi o xerox a 7 centavos. Xerox que, aliás, continua com um péssimo atendimento e extremamente lento.
CHAPA 2 - Agora só falta você
Slogan: Para construir um DCE de todos, cola com a gente que é sucesso
Principais bandeiras: transformar o DCE em um espaço para todos, sarau, festa, ???
Alianças: É a bonde do amor reborn. Muita gente da UJS, que é controlada pelo PCdoB, que é controlado pelo PT.
Essa é a chapa dos socialistas que dormem com o pijama do Che Guevara e bebem toddyinho no café da manhã antes de ir com o carro pra faculdade de ressaca, já que ficaram até tarde na balada. Espera-se que a gestão Agora só Falta Você seja parecida com a antiga do Bonde: muitas festas e saraus para distrair a galera enquanto o dinheiro do DCE some misteriosamente.
Eu não uso drogas (tenho esse defeito) mas me diziam que o Bonde mantinha uma boca de fumo em pleno funcionamento no Bloco 6, isso deve ser um ponto positivo para algumas pessoas.
Se eu pudesse perguntar uma só coisa pro pessoal da UJS seria: Como você consegue dormir a noite sabendo que o seu partido é aliado do PT, o maior partido de direita da atualidade*? E observar a reação de pânico enquanto ele tenta se explicar.
Prevejo que haverá uma diferença entre a gestão da ASFV e do Bonde: maior número de protestos e bateção de panela. A explicação é simples: na época do bonde o governador era aliado, agora é inimigo.
Resumindo, é uma chapa horrível, mas que até parece boa comparada com aquela lá de cima.
CHAPA 1 - Sedentarize-se UEM
Slogan: Vamos lutar - mas não hoje
Principais bandeiras: Preguiça, sombra, água fresca, sossego, recessos.
Alianças: Professores que não fazem chamada.
Essa é a chapa pra quem quer fazer o voto de protesto. Eu não gosto desse tipo de voto que elege Tiriricas (e mais uns quatro mensaleiros) mas devo dizer que é tentador votar nessa chapa, dado que as outras duas são esquerdistas em maior ou menor grau.
* O PT não é realmente de direita, mas isso não muda em nada a reação deles.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Os truculentos da Movimente-se
Antes de tudo assistam o vídeo abaixo:
O que aconteceu foi que, enquanto o reitor assinava o que deviam ser as pautas estudantis e uma aluna reclamava sobre o AI8, um "estudante" provavelmente treinado nas artes PSTUísticas da brutalidade, reclamou que o reitor não prestava atenção no que a menina estava falando, o que era demonstrado por sua relutância em levantar a cabeça (enquanto assinava papéis).
O reitor então andou em direção ao rapaz, falando alguma coisa ininteligível, sem chegar a menos de dois metros de distância do brutamonte. O moleque, que também deve ter aprendido a arte de fingir falta com Neymar, logo gritou, para a confusão de todos e a felicidade do cara de vermelho e de todos ao redor: "Você vai me agredir?", e continuou reclamando da tentativa de agressão inexistente. O reitor, com certeza se sentindo desrespeitado, saiu dali, aos gritos de "Covarde", gritado por uma multidão de 50 pessoas contra uma pessoa só.
Não está no vídeo, mas na assembleia que aconteceu depois no mesmo local eles reforçaram a versão deles de que houve agressão, tentando provar a máxima de 1984 de que a Oceania SEMPRE esteve em guerra contra a Eurásia. Disseram ainda que o reitor não prestava atenção nos estudantes, que não olhava na cara de quem estava falando (porque estava assinando), como se isso justificasse alguma coisa.
Fica claro pra todo mundo que viu o vídeo quem foram os verdadeiros covardes nessa história toda.
Reacionário de Merda
sábado, 22 de setembro de 2012
O bicho papão da privatização
Há 17 anos o PSDB ocupa o governo estadual de São Paulo. As três maiores universidades daquele estado, a USP, a UNICAMP e a UNESP (todas estaduais), nunca sofreram nenhuma ameaça de privatização. A USP só sobe nos rankings internacionais, a UNICAMP é líder em termos de patentes e a UNESP é uma das universidades que mais publicam artigos científicos no Brasil.
Apesar disso, assim que o Beto Richa foi eleito governador do Paraná em 2010, os esquerdistas-de-universidade foram rápidos em berrar que a UEM corria risco de privatização, que logo sentiríamos os efeitos do sucateamento. Os SINTEEMAR, comandados pela CUT, que é comandada pelo PT, começaram imediatamente a planejar suas greves (as exigências eles teriam que inventar depois). Os cabeludos do DCE recebiam instruções de seus partidos de coração: PSTU e PSOL.
Hoje, no ano de 2012, vemos em tempo real o resultado de todo esse planejamento. Uma greve política do Sinteemar (só isso explica a recusa da oferta mais que generosa do governo estadual), uma greve estudantil que obviamente não vai dar resultados, mas que foi deflagrada passando por cima da vontade da maioria dos estudantes. Criticas duras ao SESDUEM, por ser o único sindicato da UEM que não é obviamente controlado por partidos políticos. Total silêncio quanto às greves nas federais por parte da Movimente-se (mas a greve do IBGE-PR eles noticiam).
Junto à tudo isso temos as regulares críticas contra a terceirização e o típico discurso demagógico nos avisando sobre o risco (esse ano ainda, ano que vem, daqui três anos, no máximo) da UEM ser privatizada. Nunca explicam porque exatamente nós devemos nos preocupar com a possibilidade da pessoa que serve nosso almoço no RU é funcionária do Estado ou de alguma empresa terceirizada. É possível argumentar que, para nós estudantes, seria muito mais vantajoso ter funcionários terceirizados: eles não fazem greve e muitas vezes têm salários menores, sobra mais dinheiro pra comprar equipamentos ou contratar professores. Apesar disso, a terceirização (mesmo se temporária) é demonizada e geralmente considerada como prenuncio de uma privatização por vir.
Mas o discurso da terceirização pelo menos tem a vantagem de ser uma possibilidade. Aqueles espalhando o medo da privatização nem mesmo podem dizer isso. Não há, até onde eu saiba, história no Brasil de uma universidade do porte da UEM sendo privatizada. E o motivo é óbvio: qualquer governo que privatizasse (ou pensasse em privatizar) uma universidade desse tamanho com certeza perderia a eleição seguinte. A opinião pública seria completamente contra um ato desses, e os governadores com certeza sabem disso.
Mesmo sendo tão ilógico quanto o corte de 38%, boa parte da comunidade discente (esses pensadores críticos) engole a história oferecida pelos militantes como engoliriam danoninho oferecido pela mãe. Então saem por aí, como os repetidores que são, a espalhas as notícias da iminente privatização da UEM. Enchendo de medo os corações de seus colegas (que também são pensadores críticos), espalhando a bobagem pra mais pessoas.
Esse crescimento exponencial da besteira logo a transforma em senso comum e, então, em verdade inabalável. A ameaça de privatização se transforma então em ferramenta política para justificar qualquer coisa. Até essa greve de estudantes várias vezes foi justificada assim, mesmo que ninguém tenha explicado como uma greve estudantil pode ajudar a UEM a se manter pública.
Reacionário de Merda
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
As irregularidades da greve estudantil
A maioria dos alunos não quer greve
Todas as enquetes feitas pelo facebook (que tem mais representatividade que qualquer assembleia) mostram que a maioria (sempre mais que 65%) dos alunos da UEM querem continuar estudando.
As decisões são tomadas em assembleias sem representatividade
Raramente algum curso consegue reunir mais de 10% dos alunos em uma assembleia. Como 10% dos alunos podem decidir se os outros 90% vão ter aulas ou não?
As decisões são tomadas em assembleias sem divulgação
Tentando convocar uma greve em poucos dias, todas as assembleias dos cursos estão tendo divulgações porcas e sem abrangência.
As decisões de alguns cursos são tomadas em assembleias comandadas pela própria Movimente-se
O ideal seria que cada centro acadêmico organizasse a própria assembleia sozinho, com a movimente-se sendo apenas um lado do debate. Se a Movimente-se tem controle da assembleia fica fácil decidir o que vai ser votado e quando.
As assembleias não têm as atas publicadas
Nem a assembleia geral que deu início a essa patuscada nem as assembleia dos cursos tem as atas e os resultados das votações publicados publicamente.
Piquetes são um cerceamento do direito de ir e vir
A Movimente-se parecia se importar muito com o direito de ir e vir quando o que estava em jogo era o preço da passagem de ônibus. Para garantir que os 90% que não participaram da assembleia não possam ir nas aulas alguns cursos estão organizando piquetes.
Os cursos dos centros de tecnologia, biológicas e exatas tiveram assembleias conjuntas
Ao invés de cada curso ter sua própria assembleia, os cursos desses centros tiveram assembleias conjuntas. Em teoria, a decisão valeria para todos os cursos dos centros.
Reacionário de Merda
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Um vídeo pra vocês
Já que hoje provavelmente não teremos posts, deixo com vocês um vídeo inspirador. (Para os sem tempo, pulem para o terceiro minuto)
Ano passado o DCE da USP (controlado pelo PSOL) declarou greve de estudantes. Um dos cursos a aderir foi o curso de letras. A adesão foi feita "democraticamente" por assembléia, como todas as decisões de qualquer chapa sempre são. Quando os brutamontes tentaram montar um piquete e impedir os alunos de terem aula aconteceu o que se vê acima: alunos que não reconhecem o direito estudantil de greve ou autoridade do DCE de deflagra-la exigiram e conseguiram aula.
Não custa também lembrar que a chapa que comandava o DCE da USP não realizou eleições naquele ano, dizendo que estudantes em greve não podem votar.
Reacionário
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Resposta ao texto da movimente-se
Ah, que saudades de responder um texto inteiro da Movimente-se! O texto original (não respondi tudo) está no blog da chapa.
Por que uma greve estudantil?
Para avançar o projeto político da Movimente-se, claro.
As pessoas dizem isso porque greve estudantil de fato é ilegal, impossível e não vai dar em nada. Greve é um direito dos TRABALHADORES previsto na constituição, não dos estudantes. No melhor dos casos, uma paralisação dos estudantes adiaria o calendário acadêmico, transformando em caos a vida daqueles que precisam se formar logo. No pior dos casos, simplesmente perderíamos aulas e levaríamos falta, já que os professores não seriam obrigados a repor aulas.
Pois bem, na atual conjuntura da nossa universidade, vários elementos se cruzam nesses últimos meses de conflitos, de greves, ocupações, paralizações, negociações e etc. O primeiro deles e com certeza muito determinante historicamente é a atual situação da universidade pública brasileira enquanto instituição social, seja na sua função educadora, ou na sua função científica. Desde a década de 90 essa instituição vem sendo, como um serviço público, atacada de diversas formas. O corte do financiamento e a falta de crescimento “sustentável” (expansão de vagas concomitante a expansão do corpo docente, da estrutura etc.), são alguns exemplos de iniciativas que tendem a redefinir o local da universidade enquanto instituição pública de ensino, na sociedade.
Por trás de todo o lero lero, ela (estou assumindo que a escritora é uma mulher, por algum motivo) quer dizer que a UEM está sendo atacada. Fala do corte de financiamento (que não existe, como já demonstrei aqui) e da expansão do número de cursos e do número de vagas, que pelo menos existe, mas dificilmente pode ser caracterizado como um ataque, até porque foi decisão da própria reitoria da UEM. Talvez seja auto-sabotagem, não ataque. Porque exatamente isso tende a "redefinir o local da universidade enquanto instituição pública de ensino, na sociedade" eu não entendi também.
A tendência que se mostra cada vez mais é a precarização da estrutura do ensino público, em todas as suas esferas (ensino, pesquisa e extensão), paralela ao crescimento exponencial da oferta privada, aonde o cidadão tem que pagar para ter acesso ao serviço. Isso fica claro se observamos o crescimento do número de universidades privadas (vendedoras de diplomas) que pipocam por todo o país.
Clara ofensa a todos os estudantes de universidades particulares do país. Ela passa a impressão que apenas as universidade públicas são boas e todas as outras são fábricas de diplomas (Eu sei que tem alunos do Cesumar que são simpatizantes da Movimente-se).
A verdade é que, a educação, é um grande campo para a expansão da iniciativa privada,
Aqui fica claro que tudo que essa pessoa sabe de economia foi aprendido lendo Marx e companhia
o que faz com que o governo, atendendo aos interesses das empresas, incentive a criação de universidades privadas (com isenção de impostos, facilitação nos exames de qualidade e etc.) ao mesmo tempo em que retira seus olhares da universidade pública (cortando financiamento, não assegurando contratação de técnicos e docentes).
Para essa pessoa não há nada mais temível que a iniciativa privada. Mesmo que ela oferte educação pra uma parcela da população que não conseguiria, por qualquer motivo, passar em um vestibular da UEM. A solução que ela propõe, aparentemente, é aumentar os impostos brasileiros (já entre os maiores entre países em desenvolvimento) para que o Estado oferte educação de graça. No fim o povo brasileiro vai pagar mais e receber menos (todo mundo sabe como é a eficiência estatal).
Para fazer um paralelo, o exemplo mais claro de uma outra área dos serviços públicos que sofre com o mesmo processo é a saúde. Hoje em dia para se ter acesso a uma estrutura de saúde eficaz e de qualidade, o cidadão deve ter um plano de saúde privado (UNIMED, PREVER, SANTA CASA, etc), pois, do contrário, ele estará fadado a aguardar meses na fila do SUS para uma cirurgia ou até mesmo para um atendimento especializado.
Mesma coisa aqui. Estou começando a perceber que a ideia dela é abolir o dinheiro, a troca e a escassez. Tudo seria substituído por imposto e Estado. O Estado, especialmente o brasileiro, nunca falha e sempre oferece um serviço de qualidade.
Mas é óbvio que essa tendência é algo que se mostra no nível mais geral da situação da universidade. Quando falamos em precarização, privatização, corte de verbas,
Corte de verbas não existe, privatização é pura paranoia e a única precarização que tenho visto foi a que os servidores fizeram com as salas de aulas, sujando-as e trancando-as.
estamos justamente nos referindo a essa situação mais geral, que, contudo, se constrói no nosso dia-a –dia. Mas temos mesmo uma dificuldade para identificar isso no nosso cotidiano, afinal, ter um ventilador quebrado na sala de aula, não é sinônimo de precarização, as vezes é só um ventilador quebrado!
E às vezes o ventilador não gira porque os servidores da UEM resolveram cortar a luz do bloco para impedir os professores da dar aula.
No entanto, se olharmos atentos, podemos identificar que certas ações do governo, da reitoria e da administração, apontam não somente para uma precariedade passageira substituível (como o ventilador quebrado), mas sim para precariedades que serão permanentes, e tendem a se tornar parte da condição na qual a universidade e as três categorias, funcionam. Um exemplo disso para os estudantes e para a universidade como um todo são as bolsas-trabalho. Elas são claramente uma precarização da universidade que aponta para a falta de verba para a contratação de funcionários e a sua substituição por estudantes, que ganham pouco e sem direito nenhum.
Poxa, aposto que tem muito aluno que recebe e é ajudado pelas bolsas trabalho que não vai gostar de ser substituído por um funcionário que ganha mais e tem mais direitos que ele. Eu acharia meio injusto.
Outro exemplo é a inexistência na UEM de uma Casa dos Estudantes. Isso será determinante para os acadêmicos estudarem na nossa universidade: ter condições de pagar um aluguel caro para morar.
Quem se lembra quando a Movimente-se criticou a reitoria por ter lançado a primeira fase da licitação da Casa dos Estudantes? Tudo porque a chapa da vez era o Bonde do Amor. Eu me lembro.
A privatização é uma precariedade permanente que cada vez cresce mais dentro da universidade, e ela deriva diretamente da falta de recursos públicos! Cada vez mais surgem pós-graduações pagas, serviços cobrados, taxas e etc. Diante desse quadro, a volta da mensalidade é apenas uma consequência inevitável dos tempos que estão por vir.
Olha o fantasma da privatização aí de novo. Falando em mensalidade, sabiam que quando a UEM tinha mensalidade ela era apenas para quem tinha condições de pagar e o valor era baixo (cerca de 10 reais em moeda atual). No mais, alguém conhece alguma universidade pública (estadual ou federal) que cobre mensalidade? Aliás, alguém conhece alguma universidade estadual ou federal que tenha sido privatizada?
Bem como de não aceitarmos mais que os alguns cursos tenham aulas em 3 ou 4 lugares diferentes por causa da falta de estrutura.
Um absurdo! Aposto que isso não ocorre em nenhum outro lugar no mundo.
De exigirmos mais armários na BCE, laboratórios e salas de aula decentes, tanto no campus sede quanto das extensões.
E quando foi que o DCE lutou pra isso? Eles só querem greve, paralisação, invasão, depredação e 10% do PIB pra educação.
A determinação de alguns professores e alunos em continuar mantendo as atividades é compreensível do ponto de vista individual.
Mas, aparentemente, a única função do indivíduo é ser sacrificado pelo bem comum. Essa menina precisa levar um A Revolta de Atlas (Aquele livro de 1100 páginas da Ayn Rand) na fuça.
Mas isso leva a que, mais e mais esses professores e alunos tenham que se submeter a condições inóspitas para o ensino tentando driblar essa enorme falta que os servidores fazem na nossa universidade.
O fato dos indivíduos escolherem ter aulas mesmo sem condições físicas mostra uma coisa: que eles querem muito ter aulas. Talvez por razões nobres, talvez por razões mesquinhas, não é sua função julgar isso. É o que eles querem e o DCE, como representante dos alunos, deveria entender isso.
Estamos todos no mesmo barco, um barco cheio de buracos e que, se não fizermos nada, vai aos poucos terminar de afundar. Esse barco é a universidade pública.
Estamos todos no mesmo barco, furado por grevistas. Enquanto alguns tentam terminar a viagem usando baldes para jogar a água pra fora outros abraçam os grevistas e querem afundar o barco para pedir outro pro governo.
Reacionário
Reacionário
Nosso trabalho fica cada vez mais fácil. Uma resposta reveladora. Movimente-se covarde. Um recado.
A Movimente-se acaba de divulgar em seu site uma entrevista com um acadêmico da UEM. Uma das respostas revela talvez mais do que eles esperariam.
Estou falando dessa aqui:
Estudante: A ideia da greve é boa, mas o problema é que os alunos podem ser prejudicados.
Movimente-se: José, de verdade, o Calendário Acadêmico pode ser cancelado a qualquer momento e isso nos prejudicará. No entanto me parece que esse prejuízo vai ser muito maior se ficarmos quietos.
Na verdade temos informações de fontes de dentro da movimente-se que a intenção da chapa é, com a greve, suspender o calendário acadêmico desse ano. Assim, quem está no último ano vai ter que atrasar a formatura. Quem não está vai basicamente perder final do ano (e portanto atrasar a formatura). Mesmo assim, a chapa insiste em continuar com a greve estudantil. Essa é a ideia deles de bem comum: que todo mundo se sacrifique em prol de seu projeto político.
A Movimente-se é covarde. Se esconde atrás de uma pseudo-democracia de 1% dos alunos (segundo estimativas otimistas) e finge que suas decisões são tomadas coletivamente pelos estudantes da UEM. A maioria dos alunos da UEM não quer greve de estudantes, a maioria é contra a maneira com que a greve dos funcionários está sendo realizada, mas a Movimente-se, quando decide enxergar aqueles que se opõe às suas medidas, nos chama de individualistas ou sugerem que nossos cursos não nos ensinam a pensar.
Um recado para a Movimente-se: Desista dessa greve dos estudantes, voltem atrás. Reconheçam a vontade da maioria e parem com essa tolice. Se oponham à greve dos servidores (que a essa altura nem pode mais ser chamada de greve). Lutem pela manutenção do calendário acadêmico desse ano.
Vocês não acreditam em luta de classes? Pois passem a lutar pela NOSSA classe, a classe dos estudantes. É isso que os estudantes querem, e vocês se negam a nos representar.
Saiam do depredado bloco 6 e andem pela UEM para saber o que nós queremos de verdade, não o que a minoria vocal quer.
Reacionário de Merda
(Em breve: um post sobre assembleias e seu uso para corromper a democracia, outro post sobre sucateamento e privatização)
domingo, 1 de abril de 2012
META 4 – Uma tempestade em copo d’água
Se você for acreditar no que dizem por aí vai achar que existe uma conspiração do governador Beto Richa, seguindo os passos de Jaime Lerner, para privatizar todas as universidades estaduais do Paraná (ou seria só a UEM?). O primeiro passo dessa suposta privatização seria o sucateamento, onde o governo corta verbas a fim de deixar a universidade em péssimo estado e convencer a opinião pública que a privatização é necessária. Ou seria para vender a faculdade a um preço baixo? Enfim, todos parecem concordar que sucateamento leva à privatização (já ouvi gente falando que a privatização da UEM aconteceria ainda esse ano). Uma das medidas supostamente utilizadas para esse fim pelo nosso odiado governador seria a META 4, que, segundo a interpretação da Movimente-se, acaba com a autonomia universitária.
O que exatamente á a Meta 4? Em seu material distribuído semana passada nas salas da aula da UEM a Movimente-se cita um artigo do decreto 3728/2011:
Art. 23. As despesas de pessoal dos Órgãos da Administração Direta, Órgãos de Regime Especial e Autarquias, incluídas as Instituições Estaduais de Ensino Superior – IEES, deverão processar as respectivas folhas de pagamento mediante utilização do Sistema RH Paraná – META 4.
No material não tem nenhuma explicação sobre o que exatamente significa isso. Talvez porque nem mesmo os membros da movimente-se tenham entendido o significado do texto por trás de todo o legalês.
Não vou negar: não faço direito (tá aí uma pista sobre a minha identidade), mas não vou esconder de vocês nenhum documento que usar nesse post. Pra encontrar esse decreto vá ao site da casa civil do Paraná ou clique aqui.
Dando uma primeira lida temos um documento muito diferente do que se espera de um plano para sucatear as universidades estaduais. O decreto trata do orçamento do Estado inteiro. Alguém que acredita na teoria conspiratória de sucateamento/privatização tem que concluir que o governo pretende privatizar não só as universidades estaduais, mas todos “os Órgãos da Administração Direta, Órgãos de Regime Especial e Autarquias, incluídas as Instituições Estaduais de Ensino Superior”. Praticamente o Paraná inteiro.
Vemos que o trecho citado pela Movimente-se realmente está lá. Ao contrário do caso da “proibição” dos saraus a chapa decidiu não inventar do nada um artigo do decreto. Ao invés disso decidiu citar um artigo fora do contexto e sem explicação ou interpretação. A Movimente-se não mente, mas omite. Existem vários artigos interessantes no decreto que fazem essa história de Meta 4 parecer menos assustadora, como o artigo 7º:
Art. 7º. Os recursos orçamentários do Poder Executivo serão liberados no 1º trimestre conforme a discriminação contida nos incisos deste artigo, cuja execução financeira deverá se adequar a capacidade de pagamento da SEFA.
§ 1º. As liberações automáticas no Sistema COP estão discriminadas a seguir:
a) 100% (cem por cento) das dotações de Pessoal e Encargos Sociais, cujas despesas da folha de pagamento sejam processadas pelos Sistemas SIP e RH Paraná - Meta 4 da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência – SEAP, custeadas com recursos das fontes 100 e 145, exceto os elementos 34 e 96;
(...)
Como podemos ver, o decreto explicita que todas as folhas de pagamento processadas pelo sistema RH Paraná – Meta 4 terão seus recursos liberados automaticamente no primeiro trimestre. Inclui-se aí a UEM. Não é uma estratégia muito eficiente se seu plano é sucatear o Paraná todo, mas é bastante eficiente se seu plano – como diz a versão oficial – é organizar as contas do Estado.
No seu material distruído semana passada a Movimente-se escreveu o seguinte:
“Após esse decreto todas as movimentações em relação à folha de pagamento das universidades estaduais ficariam submetidas à expressa autorização da SEAP”
Mais uma vez a Movimente-se não mente, mas omite. Vamos ver o que diz o decreto:
Art. 22. Os acréscimos de despesas de pessoal, entre um mês e outro, somente poderão ser implantados após justificativas do Órgão atinente, mediante expressa autorização da SEAP.
§ 1º. Entende-se como acréscimos as novas implantações de salários, vencimentos, promoções, progressões, outras alterações funcionais, implantações ou alterações de vantagens fixas e eventuais de qualquer natureza, celebração de convênios e termos de parceria, que impliquem em despesas de pessoal, assim como a formalização de aditivos.
§ 2º. Quando solicitado os Órgãos do Poder Executivo encaminharão à SEAP, no prazo por ela estabelecido, planilha analítica comparativa da despesa de pessoal do mês em relação ao mês anterior, acompanhada da justificativa em caso de crescimento.
Vemos que a nova regra não vale apenas para as universidade estaduais, mas para toda a despesa do Estado com pessoal. Estaria o governo Beto Richa querendo privatizar o Paraná todo? É claro que não! Isso é consitente com a versão oficial de que o decreto foi pensado para organizar as contas do Estado.
É bom manter em mente que com ou sem decreto a UEM continua podendo contratar os professores que quiser quando quiser, só precisa justificar o aumento na folha de pagamento. Isso fere a autonomia universitária? A Movimente-se acha que sim, mas isso não é um fato – é uma interpretação.
Autonomia universitária é bom só até certo ponto. Não acho bom que órgão público nenhum possa gastar o dinheiro do povo paranaense sem dar satisfações pro governo que nos representa. Lembrem-se que o dinheiro sendo gasto é o nosso dinheiro, nós deveriamos exigir um maior controle dele e não ser contra qualquer iniciativa nesse sentido.
Por Reacionário de Merda
terça-feira, 27 de março de 2012
Sobre o material distribuído pela movimente-se
Bastante gente deve ter recebido na sala de aula um folheto com "informações" sobre a situação da UEM. Pra quem não viu, o material também pode ser encontrado no blog da chapa. No geral o folheto é mais uma peça de propaganda da gestão atual do DCE, mais uma vez reescrevendo a história sob o seu próprio ponto de vista. Gostaria de comentar aqui alguns trechos. Eles vão em vermelho, eu vou em azul.
Na primeira página:
"O reitor (...) falou que o governo tinha efetuado um novo corte no orçamento da universidade, totalizando 72% nos recursos do tesouro (fonte 100)"
Vendo o orçamento da UEM (Aqui tem um estudo detalhado dele) percebemos que a fonte 100 contém TODOS os recursos enviados pelo estado para a universidade e no ano de 2011 totalizou 228 milhões de reais. Um corte de 72% nessa linha do orçamento equivaleria a um corte de quase 50% no orçamento total da UEM. É muito fácil saber se isso aconteceu: se em junho ou julho a UEM fechar as portas e mandar os alunos embora é porque o corte realmente existe. Anotem em suas agendas.
"o governo se recusa a equiparar o salário dos docentes ao piso dos técnicos de nível superior em três anos como o combinado no ano passado, propondo estender a equiparação em cinco ou quatro anos"
Não sou fã do governo atual do Paraná, mas preciso ser justo: os professores ganharam menos que os técnicos de nível superior durante todo o mandato do ex-governador e atual senador Requião, esse sim nada fez para mudar essa situação. Reclamar que Beto Richa vai demorar 4 ou 5 anos ao invés dos 3 anteriormente prometidos é nada mais que pegação no pé do governo de direita.
A lógica é essa: governo de esquerda que não equipara salário tudo bem, governo de direita que demora um ano a mais do que o prometido pra equiparar não pode.
"Como se não bastasse isso, a pauta de reivindicações da ocupação da reitoria, aceita e assinada pelo Reitor (...) é ignorada."
Mais uma prova que ocupações invasões de reitoria não surtem efeito. As negociações só acontecem porque os estudantes impedem o trabalho administrativo da UEM, e esse tem que continuar. Uma vez libertada a reitoria os estudantes perdem todo o poder de barganha e tudo volta a ser como era antes. Existem formas mais efetivas e legítimas de protesto.
Na segunda página:
"Em 2011 as universidades públicas tiveram uma redução de 38% na Fonte 100, ou seja, no repasse realizado pelo governo do Estado. Em 2012 houve novo corte"
Essa frase é parcialmente verdade: a Fonte 100 realmente corresponde ao repasse realizado pelo governo do Estado, mas não sofreu corte de 38% coisa nenhuma. Como já demonstrei em um post anterior o orçamento estadual tem se mantido aproximadamente constante nos últimos 3 anos (ajustando para a inflação). A verba de custeio sim foi cortada, mas nada próximo de 38% e com cortes iguais no último ano do governo Requião e primeiro de Beto Richa. Com isso em vista, fico um tanto cético quando a movimente-se anuncia um novo corte de verba.
"Em 2011 repasses feitos pelo Estado somaram 8.298.965 milhões"
Fiquei um tanto confuso nesse trecho. O que exatamente eles querem dizer? Se formos levar o que eles escreveram ao pé da letra (e assumindo, como todo bom brasileiro, que o ponto é separador de milhar) chegamos á conclusão que o governo repassou 8 trilhões, 298 bilhões e 965 milhões pra UEM. Não nego que isso seria muito bom, mas duvido que o governo do Paraná disponha de oito vezes o orçamento federal do Brasil.
É sério isso, movimente-se? Vocês não sabem escrever um valor monetário? Pois eu ensino vocês: pra escrever 8 milhões, 298 mil e 965 reais vocês fazem assim ó:
R$8.298.965,00
ou
8,298965 milhões de reais
Poxa, não é tão complicado. Ou é? Isso não é pegação de pé! Por sorte a interpretação alternativa é absurda e pode ser ignorada facilmente (assim como os 0,07 centavos que ficou escrito por meses na frente da biblioteca, o certo é 7 centavos), se a diferença não fosse tão grande alguém poderia ler e interpretar da maneira correta, que seria diferente da maneira desejada por vocês.
Mas não citei esse trecho só pra ser pedante: a Fonte 100 de verdade envolve mais de 200 milhões de reais por ano, 8 milhões é dinheiro trocado em relação a isso. Não sei portanto de qual Fonte 100 eles estão falando.
Na terceira página
Um post sobre a Meta 4 e o que ela significa pra nós estudantes está sendo trabalhado. Talvez saia ainda essa semana.
Na quarta e última página
"Daremos um prazo de 15 dias para a resposta do reitor"
Esse foi o trecho que mais me preocupou. Foi assim que começou também a invasão do ano passado. A galera da movimente-se certamente gostou do resultado da invasão: não para a universidade, já que não atingiram seus objetivos propostos, mas para a chapa, que ganhou uma visibilidade positiva absurda. Eles sabem disso, e sabem que precisam dar um jeito de vencer as eleições que acontecem no final do ano. Se daqui 15 dias eles resolverem fazer novamente um ato que termina na reitoria nós vamos saber se a estratégia é mesmo essa.
Por Reacionário de Merda ou só Reacionário para os íntimos
sábado, 24 de março de 2012
Por que não invadir a reitoria novamente
A última invasão da reitoria – acho que já podemos concluir – foi um fracasso. Durante a invasão, grupos políticos das mais variadas orientações (mas todos vermelhos) ocuparam o nosso campus. A UEM foi invadida por bandeiras do PSTU, PSOL, PCdoB, ANEL e até, o que não faz sentido pra mim, do MST. A ocupação, apesar de ter sido pouco violenta, sujou o nome do movimento estudantil e conseguiu pouquíssimos resultados concretos (o único que consigo pensar é a redução do preço do xerox da biblioteca).
Nos dias que se seguiram ao fim da ocupação a UEM viu uma campanha de pichações de proporções inéditas em sua história. O velho centro da nossa universidade ganhou uma quantidade absurda de marcações enaltecendo a invasão e pedindo uma “paralização” (com z mesmo) dos estudantes. Algumas pichações até citavam a Movimente-se – favoravelmente – pelo nome. Um ato executivo da reitoria, não relacionado de maneira nenhuma com a ocupação, que proibia o consumo de bebidas alcoólicas no campus e exigia autorização para a realização de festas na propriedade da UEM foi propagandeado pela chapa como uma proibição retaliatória dos saraus. A propaganda chegava ao cúmulo de citar um texto que seria do ato executivo – mas era completamente inventado (esse episódio vai ganhar um post exclusivo mais tarde).
Apesar disso, a Movimente-se revelou recentemente através de seu blog, no dia 21 de março de 2012, que não descarta a possibilidade de uma nova invasão esse ano. É fácil entender por quê: a grande vencedora da ocupação foi a movimente-se. A popularidade da chapa chegou a seu ponto mais alto nos dias em que aconteceu a invasão. Sem ela o mandato da chapa seria marcado apenas por uma degeneração do espaço físico do DCE – por que colar ladrilhos nos bancos? – e algumas passeatas cheias de bandeiras vermelhas. Até mesmo uma chapa fraca e mal-organizada como a “UEM nos UNE” teria chances em uma eleição contra uma Movimente-se sem ocupação.
Porém, como vemos, a ocupação foi muito alarde para pouco resultado. Foi um marketing bastante efetivo principalmente entre aqueles estudantes que ansiavam por fazer parte do tal “movimento estudantil” de que ouviam falar, em tom de nostalgia, de seus professores de história no ensino médio – alguns continuam a ouvir falar nisso durante a faculdade.
Esses professores também tem a sua parcela de culpa. Na tentativa de reviver seus anos dourados através de seus pupilos eles os doutrinam em uma filosofia que fazia sentido na época da ditadura, quando falar mal do governo em público significa se arriscar a levar cacetete ou, se você fosse um líder, até mesmo ser torturado. Alguns desses mestres congelaram no tempo e ainda acham que vivem na época do AI-5.
A era em que vivemos, entretanto, é outra. Não há mais espaço para movimentos políticos que se propõem a mudar o mundo usando força bruta, ocupações, invasões ou pichações. Vivemos em uma democracia plena em que a manipulação – escrevo essa palavra sem conotação negativa – da opinião pública é a melhor maneira de realizar mudanças. É por isso que os estudantes precisam – e muito – da amizade da imprensa, e não da sua inimizade. Aquela “arte” dentro do DCE, que mostra um repórter de cara feia ao lado de um policial apontando uma espingarda para a cara de um estudante da UEM é bastante representativo da atitude que a Movimente-se tem, e não deveria ter, para com a imprensa.
Protestos físicos podem sim dar resultados: um exemplo recente aconteceu aqui em Maringá mesmo, durante o debate sobre o aumento no número de vereadores – e mais tarde o aumento de seus salários. Cidadãos maringaenses ocuparam a câmara municipal pacificamente e sem impedir seu funcionamento. O protesto deu resultado: nenhuma das propostas foi pra frente. A câmara municipal, porém, é um espaço do povo, a reitoria não. Outro lugar que é espaço do povo é a câmara estadual, em Curitiba. Por que não?
Temos então nossos motivos para não realizar uma ocupação esse ano:
1 – Impedir a invasão do campus por partidos ou grupos políticos ou organizações terroristas como o MST.
2 – Não voltar a opinião pública contra os estudantes, tachando-nos de badernistas. Isso é muito mais relevante agora depois do episódio dos pneus.
3 – Não servir como peça de xadrez em um jogo político. Nós estudantes não podemos ser usados para aumentar a popularidade de uma chapa.
4 – Já foi provado que ocupação não dá resultados, existem formas mais efetivas e legítimas de protesto.
quarta-feira, 21 de março de 2012
A verdade sobre o orçamento da UEM
Responda rápido: de quanto foi o corte no orçamento da UEM? 38% parece ser o número mais citado. Alguns citam 50%, outros 53%. Os mais alarmistas citam 72%. No geral, porém, todos parecem concordar que existe um corte e que ele é extenso o suficiente para gerar preocupações mas não para impedir o funcionamento normal da universidade.
A polêmica e potencial político dessa questão faz com que muita desinformação e até mesmo mentiras se propaguem pela universidade. A movimente-se não ajuda, já vi vários números diferentes citados no blog:
O corte de mais de 53% do orçamento se mantém, (16/03/2012)
O reitor (...) falou que o governo tinha efetuado um novo corte no orçamento da universidade, de 72% (28/02/2012)
E até alguns erros crassos de matemática que um aluno do ensino fundamental conseguiria perceber, como nessa citação:
Além disso, corta-se 15 % de cada secretaria, isto é, 15 % da SETI e 15 % da SEED, totalizando 30% de corte na educação paranaense. (9/2/2012)
Pra quem não percebeu o erro: um corte de 15% de cada secretaria significa um corte de 15% na educação paranaense, independente no número de secretarias que o Paraná tenha. Se o Paraná tivesse 10 secretarias o corte não seria de 150%: continuaria sendo de 15%.
Entre as justificativas que já encontrei para essa quantidade de números e informações contraditórias a mais plausível foi que 38% seriam de um corte estadual, relacionado à verba de custeio. E haveria ainda um corte na verba federal de 15%. Somando-se os dois valores chega-se ao número mágico de 53%. Mesmo assumindo que o corte existe e esses são os números reais, somar duas porcentagens referentes a quantias diferentes e dizer que esse é o corte do orçamento total da universidade é ou burro ou desonesto.
Já ouço alguém falar: Mas isso são detalhes, que diferença faz se o corte é de 1%, 5%, 50% ou 100%? O corte está aí e nós já estamos sentindo os efeitos dele! Fora Beto Richa!!! Fora Dilma!!!
Não se exalte e desça dessa cadeira, pessoa hipotética, tudo tem uma explicação. Sem saber a extensão real do corte é possível duvidar até mesmo de sua existência. Se as pessoas não conseguem concordar em uma porcentagem é porque ninguém sabe realmente o que está acontecendo. Alguém poderia pensar: "se ninguém concorda em um número, como saber se o corte existe mesmo? Acho que vou voltar a assistir BBB, essa discussão está me cansando".
Pois é com a ideia de sanar essas dúvidas que eu comecei esse post. Ele se propõe a responder:
- O corte existe?
- Quem são os responsáveis?
- Qual é sua extensão?
- Como confiar em você, ó estranho da internet.
Todos os documentos que utilizarei estão disponíveis publicamente nos sites da pró-reitoria de administração (www.pad.uem.br) e do Banco Central (www.bcb.gov.br).
1 - O orçamento da UEM
Como encontrar o orçamento da UEM:
no site da pró-reitoria da administração, clique no ano fiscal de interesse. Siga para o link "orçamento e execução orçamentária". Um arquivo em pdf vai abrir. Esse é o orçamento da UEM para aquele ano fiscal.
Como entendê-lo:
O orçamento tem duas páginas. Na primeira o dinheiro é dividido de acordo com a origem, na segunda o dinheiro é dividido de acordo com o destino. O resultado final total das duas tabelas deve ser o mesmo (se não for, alguém apertou um número errado lá na PAD).
Nas duas tabelas temos uma divisão por coluna:
A primeira discrimina de onde vieram e para onde vão os recursos.
A segunda diz qual é o orçamento total daquele ano para aquela linha.
A terceira informa quanto era o orçamento planejado até o mês que o relatório foi elaborado (geralmente em dezembro, mas pode ser mais cedo).
A quarta coluna mostra quanto realmente foi gasto, a quinta coluna mostra a diferença entre o planejamento e a realidade e sexta coluna mostra, do que foi gasto, quanto foi pago.
Nos importa apenas a primeira e segunda coluna. As demais variam muito de acordo com a data em que o relatório foi elaborado e por isso não nos serve como critério de comparação.
Os dados:
Vamos comparar os anos de 2009, 2010 e 2011.
Lembrando que a mudança de gestão, tanto estadual quanto federal, ocorreu no ano de 2011. Para comparar, além do orçamento total da UEM, quanto é a fatia que é paga diretamente pelo governo do Estado do Paraná, usaremos, além da última linha da tabela, a linha que diz "Fonte 100 - tesouro geral do estado", ela se refere ao dinheiro que é repassado diretamente do governo do Paraná para a nossa estimada universidade. Além disso, a linha pouco abaixo desta, "Recursos P/ outras despesas correntes", também é importante. Ela é a famigerada verba de custeio, de origem estadual.
Os dados são esses:
Tabela 1.1: Evolução
do orçamento da UEM nos últimos três anos, sem correção de inflação
|
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Ano
|
Verba de Custeio
|
Orçamento Estadual
|
Total Geral
|
2009
|
16.792.378,00
|
208.601.554,00
|
298.326.384,00
|
2010
|
15.692.270,00
|
217.284.090,00
|
308.601.880,00
|
2011
|
14.973.084,00
|
228.311.469,00
|
348.294.802,00
|
Não concluiremos nada a partir dessa tabela, porque ela não está corrigida para a inflação. A inflação distorce os valores de 2009 e 2010, fazendo com que eles pareçam menores do que realmente são.
2 - A inflação
Como encontrar:
Os dados de inflação aqui utilizados são do banco central, de origem no IPCA. Para encontrá-los, vá ao site do banco central, na guia sistema de metas para inflação e clique em "histórico das metas de inflação". A coluna que nos interessa é a última, referente ao IPCA. Vamos usar as inflações dos anos de 2009 e 2010.
Como calcular:
Todos os dados referentes a 2010 devem ser corrigidos pela inflação de 2010, multiplicando-os por (1+i/100).
Todos os dados referentes a 2009 devem ser corrigidos pela inflação de 2009 e 2010, multiplicando-os por (1+i/100)(1+j/100).
Os resultados:
Depois de quebrar a cabeça temos a tabela abaixo:
Tabela 2.1: Evolução
do orçamento da UEM nos últimos três anos, com correção de inflação
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Ano
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Verba de Custeio
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Orçamento Estadual
|
Total Geral
|
2009
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18.551.332,74
|
230.451.984,78
|
329.575.240,39
|
2010
|
16.619.683,16
|
230.125.579,72
|
326.840.251,11
|
2011
|
14.973.084,00
|
228.311.469,00
|
348.294.802,00
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A tabela abaixo resume os cortes/aumentos que aconteceram no período:
Tabela 2.2: Corte em várias seções do orçamento nos
períodos estudados
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Verba de custeio
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Orçamento Estadual
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Total Geral
|
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Corte 2009-2010
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10,41%
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0,14%
|
0,83%
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Corte 2010-2011
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9,91%
|
0,79%
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-6,56%
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3 - Conclusão
Com essa simples análise usando apenas informações públicas muitos mitos caem por terra e finalmente temos nossas respostas.
O orçamento total da UEM aumentou no período de 2009 até 2011, principalmente de 2010 para 2011, quando ele aumentou (por isso aquele sinal de menos) 6,56%.
O orçamento estadual se manteve praticamente estável no período, nunca oscilando mais que 1%.A verba de custeio estadual, que compõe cerca de 5% do orçamento total da UEM, foi a mais prejudicada, sofrendo dois cortes sucessivos. Um de 10,41% durante a gestão Requião e outro de 9,91% no começo da gestão Beto Richa. Nem mesmo somando as duas chega-se perto do 38% que circula por aí. Me pergunto também por quê o corte durante o governo Requião não ganhou pichações no Chain nem invasão de reitoria.
Gostaria de lembrar os leitores que apesar de a reitoria estar recebendo menos dinheiro para o custeio vindo do Estado, é muito fácil para ela remanejar o dinheiro que recebe. E de fato é o que ela vem fazendo nesses últimos 3 anos: a verba realmente gasta com custeio, informada na segunda tabela do orçamento, sofreu um aumento significativo de 21,47% (considerando a inflação) no período considerado.
Esclarecido isso, tenho alguns comentários a fazer.
Me decepciona que a comunidade universitária, que deveria ter um ceticismo e um pensamento crítico desenvolvido, tenha acreditado tão amplamente nessa mentira absurda que o orçamento da UEM tinha sofrido um corte de 38%. Assim como me decepciono agora por ver pessoas acreditando que a UEM sofre alguma ameaça de privatização.
Não poderia fazer essa análise ano passado, pois o orçamento de 2011 ainda não tinha sido divulgado, assim como esse ano não posso avaliar as consequências da invasão da reitoria. Quando o orçamento de 2012 sair essa análise vai ser feita.
Se não existe corte total, por que a nossa faculdade está tão ruim? Considerem a possibilidade de que o problema não está lá em cima, no governador, mas aqui em baixo, no reitor e coordenadores de curso. Talvez a verdadeira falha do sistema esteja neles. Meu curso funciona muito bem desde que entrei na UEM, mas ouço histórias de pessoas de outras áreas que são de arrepiar os cabelos. Será que a reitoria não sabe distribuir o dinheiro? Ou os coordenadores não sabem gerenciá-lo? Meu voto é que muito disso é culpa dos coordenadores de curso.
Por que chamo essa desinformação de mentira? Porque foi uma! Grupos de esquerda têm mencionado esse corte de orçamento e privatização desde antes mesmo do Beto Richa se eleger. Ainda me lembro de entrar na UEM na época da copa do mundo (que é quando acontecem as eleições, ouvi dizer) e receber panfletos de pessoas alteradas dizendo que o Beto Richa iria privatizar todas as universidades do Paraná. Boatos sobre o corte surgiram no dia seguinte que ele foi eleito. A verdade é que a comunidade universitária (professores, sindicalistas e até estudantes) não gostam do PSDB e portanto tem uma parcialidade nesses assuntos.
Eu? Eu não ligo pra partidos, só para dados e ideias.
Por Reacionário de Merda
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